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É Desporto

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Sixers-Celtics. A NBA em Londres

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Ver um jogo da NBA será sempre espetacular mas a primeira vez nunca se esquece. E os jogos de Londres costumam ser o maior viveiro para quem não tem outra forma de o conseguir. É uma festa dentro da própria festa, por vezes exagerada, que marca quem vê. Quando os intérpretes ajudam, com um jogo de cambalhota, tudo parece ainda melhor. 

 

Todos os caminhos vão dar à O2 Arena?

 

Sair do hotel. Destino: estação de metro de Canary Wharf, de onde seguiríamos para a O2 arena. Ao chegar, um mar de gente faz fila à porta da estação, sem poder entrar. Ouve-se ao longe um anúncio. Algumas pessoas desistem da espera. Ficamos. Novamente o anúncio, impercetível. «O que aconteceu?», perguntamos a uma das dezenas de pessoas que dão a volta. «Está um comboio avariado e cortaram a linha. Não há previsões para reabrir.»

 

É um problema. Apesar de ficar ali ao lado e quase ser visível de onde estamos, só chegaríamos num caminho a direito ao pavilhão, onde o jogo entre Celtics e 76ers nos esperava, se fossemos a nado pelo Tamisa. Decidimos esperar mais dez minutos. Se às 18h30, hora de abertura das portas do jogo, a estação continuasse fechada, logo se arranjaria solução. Nesse período, aproveitamos para pesquisar todos os acessos alternativos da O2 Arena.

 

A hora acertada chega, resolvemos apanhar o comboio para uma estação mais perto e daí... logo se veria. Em último caso, tínhamos sempre o famoso táxi preto. Damos três passos, vemos um polícia. Já que aqui estamos, mais vale perguntar se ele tem alguma recomendação. «Apanhem o barco. São quatro minutos.» Certo é que meia hora depois saímos na estação de North Greenwich, ao lado da enorme arena. Arranjámos alternativa, tal como outras dezenas de adeptos, e ainda chegamos a tempo de ver o pre-show.

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Predominância verde em casa emprestada

 

O jogo é em «casa» dos Sixers, mas está muito mais composto de camisolas verdes. Adivinha-se um ambiente mais parecido ao do TD Garden que ​do Wells Fargo Center​. Quando as mascotes são apresentadas, é Lucky, o irlandês saltitão dos Celtics, que recebe a maior ovação. Da nossa parte, tanto melhor.

 

Mas são as Sixers Dancers, as cheerleaders da equipa de Filadélfia, que causam mais emoção ao público londrino (ao público europeu, em boa verdade). Apresentadas como que fazendo parte de um catálogo, uma a uma, pelo nome, ouvem assobios, apupos e aplausos como não se ouvem num jogo nos Estados Unidos. Afinal, os líderes de claques na Europa não costumam usar maquilhagem.

 

As festividades passam depressa, e aproxima-se a hora marcada para o início do jogo. Ao habitual hino norte-americano, junta-se em Londres o «Lord Save the Queen», e logo depois tem lugar a apresentação de equipas, onde Kyrie Irving, Ben Simmons e Joel Embiid ouvem as maiores ovações. Num ápice, estamos já a assistir ao único jogo europeu de NBA do ano.

 

Bola ao ar

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Os Celtics não começam bem. Na verdade, nenhuma das equipas começa bem, com quase um minuto e meio sem pontos a abrir a partida. Quando finalmente JJ Redick consegue acertar no cesto, toda a O2 arena explode. Até as camisolas verdes com trevos ao peito não evitam um sorriso nos lábios.

 

Enfim, os Celtics não começam bem, mas também não são um desastre. Correm atrás do prejuízo durante todo o primeiro período, e depois também no segundo. Mas, vá, dez pontos são recuperáveis. É nessa altura que metade de nós decide aproveitar para ir buscar jantar – uns quantos eventos do género ensinaram-nos a evitar os intervalos.

 

De volta ao lugar, de cachorros na mão, damos com um 27-49, e aí a coisa começa a piar mais fino. Ao contrário do que acontece noutros pavilhões, a arena propriamente dita está isolada acusticamente da parte de fora, pelo que não tínhamos noção do que se passava para lá das portas de entrada.

 

Mas é aí que um estatuto que gostamos de acreditar que temos, o de estrelinha da sorte, dá um ar de sua graça. Quando o intervalo chega, os Celtics já não perdem por 22, mas por nove. Volta a esperança dos fãs da equipa de Boston.

 

Euforia virgem

 

Ao intervalo há nova aparição das cheerleaders, e os gritinhos eufóricos são tão diferentes do que se ouve do lado de lá do Atlântico que os comparamos a alguém que aos 50 anos vê o mar pela primeira vez. Mas nem é apenas no espetáculo ao intervalo, que também inclui mais uns saltos e cestos por parte da equipa de entretenimento dos 76ers, acompanhada de Lucky.

 

A cada drible mais espetacular, a cada afundanço, a cada triplo isolado, faz-se uma festa desmedida. Se Kyrie Irving já está habituado a ouvir cânticos de «MVP! MVP! MVP!» sempre que vai para a linha de lance livre nos Estados Unidos, esta terá sido das primeiras vezes que JJ Redick passou por isso.

 

Os Sixers demoram exatamente seis minutos, na segunda parte, a perder a liderança que tinham desde o início da partida, e essa foge para tão longe que já não voltam a encontrá-la. O resto é história, e os Celtics, equipa-sensação desta época na NBA, sobretudo depois da lesão de Gordon Hayward, voltam para casa com uma vitória de 114-103 no bolso.

 

Para nós, o regresso a casa – ou, neste caso, ao hotel – faz-se mais calmamente do que foi a chegada à O2. O «tube» está de volta ao ativo e em 15 minutos estamos do lado de lá do Tamisa.

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SSM/RPS