Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

É Desporto

É Desporto

Simen Krueger. Ter queda para o cross country… e ganhar

krueger1.jpg

Norueguês teve início de pesadelo na prova de 15km + 15km skiathlon e caiu ainda no primeiro minuto. Pensou que ia ser o pior dia da sua vida mas recuperou, deixou a concorrência para trás e conquistou uma surpreendente medalha de ouro. 

 

Cara no gelo no primeiro minuto

 

Simen Hegstad Krueger tem 24 anos, é norueguês e pratica cross country. Dito assim, sem mais pormenores, é como dizer que o João Silva tem 24 anos, é português e joga futebol. Sim, o nome de Simen pode não ser dos que mais homónimos cria na Noruega mas praticar cross country é como usar sal na comida.

 

O desporto é tão popular que garantir uma vaga nos Jogos Olímpicos é, por si mesmo, uma medalha. Não é para todos, há centenas com o mesmo objetivo, e consegui-lo é, antes de mais, um sinónimo de grande responsabilidade. Ou, no caso de Simen, uma quase vergonha.

 

Na prova de 15km + 15km skiathlon, a primeira do cross country masculino em PyeongChang, Simen Krueger foi apanhado no meio de um enorme pesadelo. A prova estava ainda no primeiro minuto quando o norueguês perdeu o equilíbrio e foi de cara ao chão.

 

«Pensei que ia ser o pior dia da minha vida depois daquele começo. Estava deitado no chão, com um bastão partido e um esqui enfiado no meu dorsal», explicou. A oito fusos horários de distância, a Noruega inteira assistiu ao momento e a imagem de Krueger tinha tudo para se tornar viral.

 

Uma recuperação para a história

krueger2.jpg

Mas o atleta não desistiu. Levantou-se, recebeu um novo bastão dos treinadores e começou uma recuperação fascinante dos 36 segundos de atraso que tinha para os 67 adversários. «Estava completamente isolado em último, por isso tinha de recomeçar a corrida com uma nova mentalidade: tinha de os conseguir apanhar», confessou.

 

E foi o que fez. Foi ganhando segundo após segundo, ultrapassando adversário após adversário, até sentir que estava novamente num lugar que lhe permitiria disputar uma boa posição no final. Estava claramente mais desgastado, como é óbvio, mas o que lhe pudesse faltar em força, sobrava-lhe, e muito, em adrenalina.

 

Tanto assim foi que, a cerca de quatro quilómetros do final, Simen Krueger decidiu atacar e voltou a isolar-se… mas agora à frente do pelotão. O norueguês estreante em Jogos Olímpicos não voltou a olhar para trás e, 75 minutos depois da queda, cruzou a meta para dar o mote a um pódio totalmente norueguês. Martin Sundby chegou a oito segundos, Hans Holund a dez.

 

«É uma sensação indescritível. É um dia fantástico que começou da pior maneira possível», disse Simen Krueger. Um campeão olímpico.