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É Desporto

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Nick Saban. O peso pesado voltou a ir ao tapete

Nick Saban perdeu segunda final em três anos

O desporto universitário nos Estados Unidos é tão efémero que os treinadores chegam a ser mais importantes do que os jogadores e as próprias equipas. Seja no basquetebol ou no futebol americano, há nomes que surgem como autênticas instituições e imediatamente associados a uma aura de respeito e sucesso.

 

Nick Saban é o peso pesado do futebol americano. Desde que assumiu o comando dos Alabama Crimson Tide, em 2007, a equipa montou uma estrutura capaz e tem escrito episódio de sucesso atrás de episódio de sucesso num livro cheio de história.

 

Em pouco mais de uma década, Alabama chegou a sete finais. Nos últimos anos, o poderio tem sido indiscutível e a presença no jogo decisivo é quase um facto garantido. O problema é que, ao contrário do que aconteceu nas primeiras quatro presenças (2010, 2012, 2013 e 2016), os triunfos não são automáticos.

 

Em 2017, os Clemson Tigers vestiram a pele de carrasco e ganharam 35-31. Esta madrugada, a mesma equipa voltou a assumir-se como o grande rival de Alabama e somou mais um triunfo, desta feita por 44-16.

 

O resultado é histórico: é a pior derrota na era de Nick Saban como treinador em Alabama. A equipa só por uma vez esteve em vantagem no marcador (16-14 durante o segundo período), foi para o intervalo a perder (16-31) e não conseguiu somar qualquer ponto durante toda a segunda parte.

 

À felicidade de Clemson, Alabama respondeu com a desinspiração. No início do terceiro período, por exemplo, os Crimson Tide tentaram simular um field goal mas não surpreenderam o adversário. «Pensávamos que tínhamos a jogada muito bem ensaiada mas alguém não bloqueou um adversário, por isso não conseguimos. Foi uma má decisão, é sempre assim», lamentou Saban na conferência de imprensa após o final do encontro.

 

A derrota não afeta o legado de Nick Saban mas faz lembrar as derrotas dos Patriots contra os Giants na Super Bowl (2008 e 2012). Há uma diferença clara entre alguém que vence todas as finais em que participa e alguém que se limita a vencer apenas uma larga maioria. Para Saban e Alabama, a aura de hegemonia de rolo compressor parece perdida. E onde os Patriots descobriram os Giants e o treinador Tom Coughlin, Alabama está obrigada a cruzar-se com Clemson e o treinador Dabo Swinney.

 

A construção de um monstro competitivo

Nick Saban enquanto jogador

Os números de Nick Saban são impressionantes. O outrora elemento da linha defensiva de Kent State (1970 a 1972) tem um registo de 141 vitórias e apenas 21 derrotas em Alabama e antes de chegar à equipa já tinha conquistado um título com LSU, a equipa mais famosa do estado do Louisiana, que joga em Baton Rouge.

 

O facto inédito – é o único a ser treinador campeão por duas equipas diferentes – ajuda a perceber quão especial é. Mas o início foi mais um acaso do que qualquer outra coisa. Depois de tirar o mestrado em Administração Desportiva em Kent State, acabou por ser convidado pelo seu treinador para continuar como assistente.

 

Oportunidade atrás de oportunidade, Saban foi aproveitando e começando a construir currículo. Sempre como assistente, andou por Syracuse, West Virginia, Ohio State, Navy, Michigan State e Houston Oilers (NFL).

 

Foi nesta altura que deu pela primeira vez o salto para treinador principal, agarrando a oportunidade dada pela Universidade de Toledo, no Ohio. O regresso à NFL, para coordenador defensivo dos Cleveland Browns de uma equipa orientada por… Bill Belichick (atual treinador dos New England Patriots), durou de 1991 a 1994 e depois deste período, muito mau na opinião do próprio, andou por Michigan State, LSU e Miami Dolphins. A experiência como treinador na NFL foi medíocre, com 15 vitórias e 17 derrotas em duas temporadas e decidiu focar-se exclusivamente no futebol americano universitário quando chegou ao Alabama.

 

Hoje, 46 anos depois de ter aceitado o convite de Kent State, Nick Saban é um dinossauro que impõe respeito. Tem 232 vitórias, 63 derrotas e um empate enquanto treinador na NCAA e além dos seis títulos nacionais já conquistou oito vezes a divisão SEC, uma das mais importantes do futebol americano.

 

Os prémios individuais também se amontam ano após ano. Já foi duas vezes o treinador da temporada a nível nacional e quatro vezes da divisão SEC. Aos 67 anos, Saban não mostra sinais de abrandar e, mesmo que quisesse, a estrutura que ajudou a montar é uma locomotiva que não travará tão cedo.

 

Nick Saban está a meio de um contrato de oito anos com Alabama, válido até 31 de janeiro de 2025, que inclui um pagamento total de 65 milhões de dólares, além de um bónus de assinatura de quatro milhões e a possibilidade de ganhar até mais 700 mil dólares por ano de acordo com os resultados alcançados. Ou seja, Saban até pode ir ao tapete mas tão cedo não vai deixar de se levantar.