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É Desporto

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Mundial-2011. Japão abre a porta para a Ásia

Mundial-2007

A China organizou as fases finais de 1991 e 2007. E participou na final em 1999, perdendo apenas nas grandes penalidades. Mas foi o Japão que fez história ao tornar-se a primeira seleção fora da Europa e América do Norte a  conquistar uma prova. De vulnerável equipa nos anos 90, passou por uma fase de crescimento no início do século XXI e coroou a evolução com a chave de ouro em 2011.

 

A Alemanha foi a organizadora da fase final – na primeira edição organizada pela Europa desde o Suécia-1995 – e tinha uma oportunidade de ouro para alcançar um inédito tricampeonato. A organização começou por pensar em alargar a prova para 24 seleções mas a ideia de manter as 16 foi para a frente, até porque não havia certezas de que o mundo teria equipas suficientes com qualidade.

 

Houve espaço para tudo. Brasil, Alemanha, Japão, Nigéria, Noruega, Suécia e Estados Unidos mantiveram a sua série de assiduidade intocável, apesar de as norte-americanas terem sido obrigadas a disputar um play-off com a Itália. Em sentido contrário, a China desperdiçou a oportunidade de ver o Japão celebrar o título, enquanto Colômbia e Guiné Equatorial conseguiram a estreia no torneio.

Brasil-Austrália

Os resultados não surpreenderam: a Colômbia foi última classificada do seu grupo, apesar de somar um empate com a também vulnerável Coreia do Norte, enquanto a Guiné Equatorial ficou mesmo em branco, num grupo com Brasil, Austrália e Noruega. Bom, na verdade conseguiu festejar por duas vezes, durante a derrota com as socceroos (3-2).

 

O Japão conquistou o torneio e fez duplamente história. Além de se tornar a primeira seleção asiática a vencer a prova, foi também a primeira equipa a erguer o troféu depois de perder um jogo durante a prova. A culpada foi a Inglaterra, naturalmente ainda durante a fase de grupos. Quando os jogos foram a doer, não houve quem travasse as nipónicas: a bicampeã Alemanha foi eliminada no prolongamento dos quartos-de-final, a Suécia ficou pelo caminho na meia-final e no jogo mais ansiado, com os Estados Unidos, a emoção chegou para dar e vender.

 

Por duas vezes o Japão esteve a perder, por duas vezes conseguiu o empate, uma delas a três minutos do final do prolongamento. No desempate por grandes penalidades, Boxx, Lloyd e Heath falharam para as norte-americanas. Ou melhor, Ayumi Kaihori defendeu e ganhou o estatuto de lenda no futebol japonês.

 

Joseph Blatter garantiu que este foi o melhor Mundial de sempre, que «todos os indicadores apontam para isso». E que indicadores são esses? Um deles foi a média mais baixa de golos de sempre numa fase final (2,7).

 

Era um sinal de modernidade. O 11-0 da Alemanha à Argentina em 2007 era coisa do passado. A vitória do Japão sobre o México na fase de grupos (4-0) foi o resultado mais desnivelado e houve apenas um jogo com mais golos (5) do que o encontro da final. E mesmo esse, o já referido Austrália-Guiné Equatorial, teve um resultado equilibrado (3-2).

Suécia-EUA

O número de espetadores total voltou a baixar do milhão, com 845 711, sendo ainda assim muito melhor do que os pouco mais de 110 mil que a única prova na Europa tinha registado até então, em 1995.

 

Blatter destacou também a emoção vivida na final, com Homare Sawa, a mítica e experiente japonesa, a garantir um desfecho perfeito na sua quinta e última fase final: sagrou-se a melhor marcadora da prova (5) e recebeu o troféu de melhor jogadora.

 

«A conclusão é óbvia», escreveu Sepp Blatter. «O Mundial-2011 foi a melhor plataforma possível para mostrar ao mundo que as mulheres conseguem, de facto, jogar futebol de maneira técnica, física, rápida e cativante.»

 

O jogo da Alemanha com o Canadá, o primeiro da anfitriã em casa, registou a maior assistência da prova, com 73680 pessoas, e passou a ser o único encontro do top-8 das lotações na história das fases finais a não ter sido disputado na edição de 1999. A árbitra da final foi uma mulher que é hoje notícia por todo o mundo: a alemã Bibiana Steinhaus, que atualmente é nomeada para jogos da Bundesliga.

 

No que diz respeito aos golos, Marta marcou mais quatro e igualou Birgit Prinz na lista de melhores marcadores da história. Contudo, ao contrário da alemã, precisou de apenas três fases finais para lá chegar: três em 2003, sete em 2007 e quatro em 2011.

 

Sem surpresa, Portugal ficou de fora da competição. Na fase de qualificação, foi terceiro classificado num grupo com Itália (22 pontos), Finlândia, Eslovénia e Arménia. A seleção nacional terminou com um registo positivo de golos (17-10) muito por culpa das vitórias contra Eslovénia (4-0 e 1-0) e Arménia (7-0 e 3-0). Fora desses jogos, apenas dois golos marcados, dez sofridos e quatro derrotas.