Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

É Desporto

É Desporto

Mirai Nagasu. Entrar na elite olímpica do triplo axel

agasy.jpeg

Norte-americana aproveitou a prova feminina individual do evento por equipas para se tornar a terceira atleta na história a completar o triplo axel nos Jogos Olímpicos. EUA conquistaram a medalha de bronze. 

 

A jóia da coroa

 

O triplo axel é o santo graal da patinagem artística. Sozinho, não chega para vencer competições, mas arriscar, e sair dele com sucesso, é meio caminho andado para arrancar um momento memorável. É o elemento mais complicado da modalidade mas Mirai Nagasu, 24 anos, não se deixou amedrontar.

 

No evento por equipas dos Jogos Olímpicos de PyeongChang, os Estados Unidos tinham a medalha praticamente garantida e dificilmente sairiam do bronze. Por outras palavras, o risco de Nagasu era calculado. Por muito que tenha andado a aperfeiçoar o triplo axel nos últimos meses, se o tivesse falhado não seria dramático. Por outro lado, se o conseguisse, ia deixar o mundo, sobretudo os Estados Unidos, em polvorosa.

 

A estatística diz tudo: Mirai Nagasu tornou-se a terceira atleta – e a primeira norte-americana – a conseguir completar o triplo axel com sucesso nos Jogos Olímpicos. O legado que Tonya Harding deixou no início da década de 90 tinha ficado incompleto, com a manobra, já em desespero, falhada em Lillehammer-1994.

 

Agora, 24 anos depois, Mirai Nagasu não cometeu qualquer erro e completou a manobra com graciosidade, juntando-se a duas japonesas: Midori Ito (Albertville-1992) e Mao Asada (Vancouver-2010). Mesmo nos Estados Unidos, além de Tonya Harding, apenas Kimmie Meissner tinha conseguido a manobra em competição… mas fora dos Jogos Olímpicos.

 

«Senti-me mesmo bem. Quando se aproximou o momento, limitei-me a pensar que tinha de encontrar a minha trajetória e ganhar alguma velocidade», explicou uma eufórica patinadora no final do evento. Mirai confessa que sentiu algum desequilíbrio, mesmo que este não tenha sido necessariamente aparente, mas percebeu perfeitamente o que tinha acabado de acontecer quando, pelo canto do olho, viu os seus compatriotas a saltarem de júbilo.

 

 

Trunfo de recurso

 

O triplo axel foi o recurso que Mirai Nagasu encontrou para estabelecer a diferença para as rivais nos Estados Unidos. Depois de falhar os Jogos Olímpicos em Sochi, a norte-americana entendeu que tinha de arranjar uma forma clara de se distinguir: «Sabia que tinha de ser algo especial. Por isso, agora, tornar-me a primeira norte-americana a completar o triplo axel nos Jogos Olímpicos é histórico. E ninguém me vai poder tirar isso».

 

Curiosamente, nenhuma das atletas que conseguiram o triplo axel acabaram como campeãs olímpicas na competição em que o fizeram, uma vez que tanto Midori Ito como Mao Asada não foram além da medalha de prata.

 

Ao ler Midori Ito, Mao Asada e Mirai Nagasu há algo que salta à vista. E a patinadora reconhece isso mesmo: «Se calhar é mesmo uma questão genética das japonesas. Mas, sorte a minha, eu sou norte-americana. E sou a primeira a consegui-lo».

 

Mirai Nagasu nasceu em Los Angeles em 1993 e é filha de imigrantes japoneses que abriram um restaurante em Arcardia, não muito longe da grande metrópole. Com vestidos para as provas feitos pela mãe e com responsabilidades acrescidas no restaurante, Mirai teve de batalhar muito para chegar onde está, à boa maneira do sonho americano.

 

É precisamente esse o conselho que deixa: «Que acreditem sempre nos vossos sonhos. Se realmente sentirem que são capazes, as coisas vão acabar por acontecer desde que trabalhem para isso».