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É Desporto

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Max Brito. A maior tragédia do Mundial de Râguebi

Max Brito com os pais

A Costa do Marfim tinha tudo para ser apenas uma nota de rodapé na fase final de 1995. Mas na terceira jornada, depois de duas derrotas pesadas, tudo mudou: Max Brito foi apanhado por baixo de um ruck e fraturou a quarta e a quinta vértebra, ficando paralisado do pescoço para baixo.

O Mundial-1995 foi há 24 anos. Hoje, toda a gente se lembra da magia sul-africana, inspirada por Nelson Mandela, e que terminou com um título muito simbólico que marcou a consolidação da nação arco-íris. E ninguém é capaz de se esquecer da forma como Jonah Lomu tomou os relvados sul-africanos de assalto, mostrando toda a sua qualidade e assumindo-se como o jogador mais temível daquele período.

Da Costa do Marfim e de Max Brito, porém, poucos se lembram. África teve duas seleções num mundial pela primeira vez: depois das campanhas modestas de Zimbabué em 1987 e 1991, 1995 tinha tudo para ser um ano de viragem, sobretudo porque os Springboks tinham deixado o apartheid para trás e tinham garantido a estreia em fases finais a jogar em casa. Mas houve também espaço para a Costa do Marfim, que se apurou depois de superar a concorrência de Namíbia e Zimbabué.

Num grupo com França, Escócia e Tonga, a participação da Costa do Marfim tinha os dias contados, literalmente. Ia perder a 26 de maio, a 29 de maio e a 3 de junho e regressaria a casa. Os resultados foram esmagadores: 0-89 com a Escócia, 18-54 com a França e 11-29 com Tonga.

Max Brito ainda com a bola no início da jogada

O jogo da despedida foi trágico. Não por ter carimbado definitivamente o adeus à prova mas porque Max Brito sofreu uma lesão gravíssima aos três minutos. Depois de ter tentado ganhar metros, caiu no relvado e acabou a ser apanhado por baixo de um ruck. Quando a formação espontânea colapsou, o corpo de Max Brito foi esmagado e resultou na fratura de duas vértebras.

Os minutos que se seguiram foram dramáticos. Perante a apreensão de jogadores, equipa técnica e adeptos, não foi preciso esperar muito para se perceber que a lesão era grave. Foi transportado de imediato para o hospital de Pretória, para garantir a estabilização da coluna, mas o mal estava feito.

Max Brito entrou de pé no Olympia Park de Rustenberg naquele 3 de junho de 1995 mas nunca mais voltaria a andar na vida. Eletricista de profissão, nascido na Costa do Marfim mas a viver em França, viu a sua vida dar uma volta de 180 graus.

A relação com a mulher deteriorou-se, divorciou-se, perdeu gradualmente o contacto com os filhos e acabou a viver novamente com os pais. Em 2007, doze anos depois do acidente, o progresso era mínimo: já conseguia mexer ligeiramente o tronco e um dos braços.