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É Desporto

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Marta (Vieira da Silva). A ministra do futebol brasileiro

Marta é um fenómeno do Brasil

É o mais próximo de Messi e Ronaldo que o futebol feminino teve. Entre 2004 e 2018, só por uma vez a brasileira não constou no pódio das melhoras jogadoras do ano para a FIFA. Vencedora em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018, a jogadora de Alagoas construiu uma reputação intocável no futebol mundial à conta do seu estilo técnico, capaz de maravilhas individuais a cada momento. Em 2011 atingiu o topo das goleadoras de fases finais.

 

Se o futebol feminino tivesse o impacto do futebol masculino em todo o mundo, é muito provável que nunca mais um turista brasileiro conseguisse sair do seu país sem que alguém no seu destino lhe dissesse: «Brasil? Ah, Marta!». Aquilo que os portugueses ouvem com Eusébio, Figo e Ronaldo, os argentinos com Maradona e Messi, os holandeses com Cruijff e Van Basten e… bom, já deu para perceber a ideia. Marta é sinónimo de futebol brasileiro feminino.

 

Nascida em 1986, cresceu numa fase em que o futebol feminino já começava a dar cartas. Os tempos em que o campeonato brasileiro não tinha apoios e a seleção se limitava a ser uma extensão do EC Radar faziam parte do passado.

 

Quando Marta chegou à seleção principal em 2002, com apenas 16 anos, já o Brasil tinha deixado de ser um saco de pancada habitual em fases finais. Lutar pelo título pode ter parecido sempre uma utopia, apesar do terceiro lugar em 1999, mas o estigma de uma seleção fraca foi derrubado definitivamente com a passagem do século XXI.

 

O Brasil precisou apenas de tempo para mostrar aos seus habitantes que o futebol feminino existia e que se estava a tornar um fenómeno. As crianças começaram a olhar para a modalidade com verdadeiros olhos de ver e foi uma questão de tempo até os resultados aparecerem. Marta foi o pináculo desse fenómeno.

Marta é a líder da seleção

Profissional aos 14 anos, pelo Vasco da Gama, a canhota jogava de forma a fazer lembrar os maiores de outros tempos, como Pelé ou Garrincha. Marta perdeu personalidade: deixou de poder ser Marta. Marta apenas. Tornou-se o «Pelé de saias», numa rotulagem tantas vezes explorada para aumentar o interesse do espectador casual.

 

Mas Marta era especial. Encantava sem precisar de rótulos. E, à imagem de outras lendas de um só nome, também respondia oficialmente por três. Se Eusébio era Ferreira da Silva e Pelé era [Edson] Arantes do Nascimento, Marta era Vieira da Silva.

 

Com ela, o Brasil subiu de produção nas grandes provas e em 2007 conseguiu uma presença histórica na final do Mundial. Marta, à semelhança de tantos heróis do futebol masculino, ficou associada a um penálti falhado – remate denunciado a permitir a defesa a Nadine Angerer – numa altura em que a Alemanha ia vencendo o Brasil por 1-0. Foi uma triste conclusão numa prova em que venceu os troféus de melhor jogadora e de melhor marcadora (sete golos).

 

O Brasil da era Marta nunca foi eliminado na fase de grupos de um Mundial. E nos Jogos Olímpicos conseguiu duas medalhas de prata consecutivas: em Atenas-2004 e Pequim-2008. O Brasil vivia o seu momento áureo e a maior responsável era Marta.

 

Mas Marta, lá está, era apenas Marta. Não no nome mas na qualidade. Se é certo que onze Martas não chegariam para o título – tal como onze Messis, acrescente-se – também é verdade que nunca beneficiou do mesmo apoio fundacional que outras grandes jogadoras tiveram em seleções mais tradicionais, como Alemanha e, sobretudo, Estados Unidos.

 

Tinha um limite e fez tudo o que podia dentro dessa fronteira. Não podendo fazer a diferença coletiva como desejaria, partiu, sem grande problema, para a história individual. Depois dos três golos no Mundial-2003 e dos sete no Mundial-2007, Marta marcou quatro em 2011 (dois à Noruega e dois aos Estados Unidos) e igualou Birgit Prinz como melhor marcadora na história da prova, apesar de precisar de apenas três fases finais para tal – a alemã precisou de quatro.

 

Hoje, oito anos depois, Marta já está isolada, graças ao golo marcado à Coreia do Sul em Montreal, no Mundial-2015. Com 15 golos em 17 jogos, Marta provou ser um fenómeno no futebol de seleções, superando os números de Birgit Prinz (14 e 24) e de Abby Wambach (14 em 25).