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É Desporto

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Mark McMorris. Da quase morte a uma medalha em onze meses

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Canadiano voltou a ser bronze olímpico no snowboard slopestyle mas desta vez o sabor foi muito mais especial: em março de 2017 teve um acidente muito grave que o deixou às portas da morte. 

 

A diferença do número 17

 

Red Gerard é o novo campeão olímpico de snowboard slopestyle e tem apenas 17 anos. Mark McMorris voltou a ser o terceiro classificado na prova olímpica e… partiu 17 ossos há menos de um ano.

 

Até pode parecer piada mas foi um assunto sério. Em março de 2017, no Canadá, Mark McMorris foi vítima de um acidente gravíssimo enquanto treinava. De acordo com o irmão, Craig, estava a começar a ficar nevoeiro e Mark afastou-se demasiado para a esquerda, acabando por embater com estrondo num conjunto de árvores.

 

O balanço das consequências é capaz de fazer corar muitas listas de supermercado: uma fratura no maxilar, uma fratura no braço esquerdo, uma rutura do baço, uma fratura na pélvis, várias fraturas nas costelas e um colapso do pulmão esquerdo. Feitas as contas, partiu um total de 17 ossos, ficou em coma induzido e foi obrigado a passar por duas longas cirurgias.

 

O momento fez mais do que deixar uma marca física no atleta canadiano. «Há um grande conflito e muita dúvida. Faz-te pensar se queres realmente continuar a fazer isto. A verdade é que não tinha nada mais que me trouxesse alegria à vida. Obviamente que é stressante, e pode ser muito duro por vezes, mas estou feliz por ter insistido e ter voltado», contou no início do mês.

 

Para McMorris a situação também não era nova. O filho de um antigo ministro dos Transportes e Infraestruturas de Saskatchewan coleciona lesões como quem não falha uma caderneta de cromos de fases finais. Exatamente um ano antes, tinha fraturado o fémur em Los Angeles e em janeiro de 2014, nas vésperas dos Jogos Olímpicos, fraturou uma costela.

 

Nada tão grave como o acidente de 2017 mas o suficiente para perceber que é possível dar a volta e ser fiel ao seu lema de vida: «Manter a diversão».

 

A importância da recompensa

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Mark McMorris passou por uma longa recuperação e voltou ao ativo em setembro, com tempo suficiente para garantir o regresso a uns Jogos Olímpicos. Em PyeongChang, no momento da verdade, voltou a ficar com o último lugar do pódio.

 

A primeira reação foi marcada pela desilusão, nos eventuais protestos que poderia fazer à classificação dos juízes, mas rapidamente foi substituída pela sensação de que era um homem como muita sorte.

 

«Tive de me beliscar para relembrar de como tinha sido o meu último ano. Há pessoas que morreriam para conseguir uma medalha olímpica... e eu estive muito perto de morrer. Por isso estou muito entusiasmado», reagiu.

 

O sentimento de sorte de Mark McMorris continuou depois nas redes sociais, quando o atleta partilhou duas fotos no twitter: uma, à esquerda, em que estava entubado numa cama de hospital depois do acidente e outra, à direita, no pódio de PyeongChang-2018. «Thank You Life», escreveu. 

 

Os pais também fizeram questão de o acordar para a realidade impressionante do que tinha acabado de conseguir. «Há oito meses estávamos à beira da tua cama, contigo em coma. Deves estar assoberbado com o que aconteceu agora», disseram-lhe.

 

Com o passar do tempo, o acidente até acabou por ser uma história gira para contar. «É fixe que tanta gente esteja a falar disso agora. É óbvio que na altura desejei que não tivesse acontecido, mas agora é giro que tanta gente tenha vindo falar comigo para dizer que os ajudei e motivei na vida deles por causa da forma como recuperei.»

 

«Fico contente por desempenhar esse papel e sinto-me sortudo por estar na posição em que estou, de conseguir inspirar os outros. Essa capacidade de inspiração é melhor do que qualquer medalha», garantiu.

 

E, claro, o snowboard continuará a ser fundamental na sua vida. «Nada me traz a alegria que o snowboard traz e estive muito, muito perto de não o poder voltar a fazer outra vez. Só quero continuar a ter sucesso no que faço e poder desfrutar de tudo com os meus amigos. Aproveitar a viagem, na verdade.»