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É Desporto

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F1 500. Festa de Piquet com amuo de Prost

Nelson Piquet venceu a penúltima prova da sua carreira

Ayrton Senna já era campeão depois de uma vingança sobre Alain Prost no Grande Prémio do Japão. Duas semanas depois, na Austrália, o francês fez birra, o brasileiro desistiu durante a corrida e Nelson Piquet aproveitou para fechar a temporada de 1990 com dois triunfos consecutivos. Foi o 500.º Grande Prémio na história do Mundial de Pilotos e a Fórmula 1 fez questão de marcar o momento.

 

Para perceber o contexto do Grande Prémio da Austrália que encerrou a temporada de 1990 é preciso recuar até 1989, a Suzuka. No Japão, Alain Prost tinha a faca e o queijo na mão rumo à conquista do título mundial mas estava a ser perseguido há várias voltas pelo seu maior rival – e colega de equipa na McLaren – Ayrton Senna.

 

Se fosse ultrapassado e o deixasse vencer, Senna dependeria apenas de si na última prova do ano, na Austrália. Por outro lado, se ambos fossem forçados a desistir, o título ficaria decidido na hora. Assim, no momento em que Senna arriscou finalmente uma ultrapassagem, houve uma colisão (não apontamos responsabilidades, tirem as vossas próprias conclusões) e Prost pôde festejar o campeonato.

 

Um ano depois, as situações inverteram-se. Ayrton Senna manteve-se na McLaren mas Alain Prost foi para a Ferrari. Os dois estavam na luta pelo título e desta vez era o brasileiro a festejar o título mundial se nenhum dos carros terminasse.

 

O brasileiro e o francês saíram da primeira linha da grelha mas não passaram sequer da primeira curva. Prost foi mais rápido a largar mas houve nova colisão (uma vez mais, tirem as vossas conclusões) e as contas ficaram fechadas.

Ayrton Senna e Alain Prost em Suzuka (1990)

Duas semanas depois, na Austrália, Alain Prost era um homem amargo, aborrecido, sem vontade de cumprir ou fazer o que quer que fosse. Era suposto ser um fim-de-semana de festa, de Senna e da própria Fórmula 1 por ser o fim da temporada e a 500.ª corrida do Mundial de Pilotos, mas o francês não estava para aí virado.

 

Entre os momentos de maior tensão, contaram-se o abandono da reunião de pilotos a meio e a não comparecência à sessão de fotografias oficial com vários dos antigos campeões mundiais – Juan Manuel Fangio, Jack Brabham, Denny Hulme, Jackie Stewart, Nelson Piquet e… Ayrton Senna.

 

Na pista, a conversa foi outra. Havia pouco para decidir: Ayrton Senna já era campeão e Alain Prost o segundo classificado, e a McLaren-Honda tinha garantido um novo título no Mundial de Construtores. De qualquer forma, uma corrida de Fórmula 1 é sempre um evento especial e há sempre qualquer coisa em disputa.

 

A McLaren confirmou a superioridade da época ao conseguir a primeira linha da grelha – Senna seguido de Berger -, mas nenhum dos carros chegou sequer ao pódio: o brasileiro teve problemas mecânicos depois de 61 das 81 voltas e o austríaco ficou na quarta posição.

 

O triunfo foi para o brasileiro Nelson Piquet, que teve de sofrer e quase desistir depois de uma tentativa de ultrapassagem do Ferrari do britânico Nigel Mansell. Os dois carros resistiram, passaram a meta separados por pouco mais de três segundos, e foram seguidos pelo Ferrari de Alain Prost.

 

A vitória na Austrália garantiu também o terceiro lugar no Mundial a Nelson Piquet, com os mesmos pontos de Gerhard Berger (43), mas com a vantagem de ter vencido duas corridas: precisamente as duas últimas da temporada.

 

Piquet estava na fase decadente da carreira e acabaria por deixar a Fórmula 1 no ano seguinte, em 1991. A vitória na Austrália foi a penúltima de uma carreira que contou com 23 triunfos.