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É Desporto

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F1 200. Jackie Stewart dominou no Mónaco do princípio ao fim

Jackie Stewart rumo ao triunfo no Mónaco

Depois de Silverstone (1) e Nurburgring (100), a corrida 200 na história da Fórmula 1 voltou a ser disputada num palco mítico. Nas ruas de Monte Carlo, o britânico Jackie Stewart somou a segunda vitória, e o terceiro pódio, em três corridas da temporada de 1971 e estabeleceu a fasquia para uma época em que seria novamente campeão.

 

Vencer o Grande Prémio do Mónaco é uma experiência que não está ao alcance de qualquer um. Lewis Hamilton já foi cinco vezes campeão mundial mas só conseguiu atingir o lugar mais alto do pódio ali duas vezes. É uma pista muito especial, onde todos querem ganhar, e onde a pressão tende a afastar historicamente os mais arrojados dos cautelosos.

 

Por cada Ayrton Senna com seis vitórias, há um Nigel Mansell que não conseguiu vencer. Graham Hill e Michael Schumacher (5) também surgem bem representados e até há espaço para enormes surpresas, como quando Olivier Panis venceu em 1996, ao volante de um Ligier, numa corrida em que apenas três carros chegaram ao fim.

 

Em 1971, o circuito do Mónaco já encantava o mundo automobilístico e tinha em Graham Hill a sua maior figura. Ninguém como ele tinha uma apetência tão grande para fazer daquela corrida citadina o seu império. Na era da Fórmula 1, só Stirling Moss se juntava a ele com múltiplos triunfos. Só que enquanto o piloto mais velho vencera três (1956, 1960 e 1961), Hill chegou a 1971 já com cinco vitórias (1963, 1964, 1965, 1968 e 1969).

 

A 23 de maio de 1971, Hill esteve longe de conseguir aumentar o currículo. Após ter feito o nono tempo da qualificação, sofreu um acidente depois de cumprir a primeira volta e foi obrigado a abandonar. Em sentido contrário, Jackie Stewart, com o número 11 no seu Tyrrell-Ford, voava para uma corrida perfeita, numa época sensacional.

 

Jackie Stewart chegou ao Mónaco com uma vitória e um segundo lugar nas duas primeiras corridas da temporada. O ímpeto continuou com a pole position – a segunda da época – e não houve maneira de o travar durante a prova.

 

Campeão mundial em 1969, o piloto escocês queria reconquistar o título, perdido para o campeão póstumo Jochen Rindt em 1970, e mostrou ao que vinha desde o início. Depois de 80 voltas ao principado, o Tyrrell-Ford cruzou a meta com 25,6 segundos de vantagem sobre o sueco Ronnie Peterson e 53,3 segundos sobre Jacky Ickx. Dos 18 carros que partiram para a corrida, dez cruzaram a meta e apenas três conseguiram fazê-lo sem serem dobrados por Stewart.

 

Com três corridas disputadas, a vantagem de Stewart crescia cada vez mais. Com 24 pontos, tinha já 14 de vantagem sobre Ickx e 15 sobre o norte-americano Mario Andretti. O primeiro terço da temporada ainda não tinha sido dobrado mas a pontuação já seria suficiente para terminar o Mundial no terceiro lugar.

 

Jackie Stewart, naturalmente, não quis saber disso. Nas oito corridas até ao final da época, venceu metade e chegou ao fim com 62 pontos e o título no bolso. Ronnie Peterson, tal como no Mónaco, foi segundo classificado, com 33 pontos.

 

A vantagem de 29 pontos sobre o segundo classificado no final foi um novo recorde que só voltou a ser batido em 1992, quando Nigel Mansell terminou com 62 pontos de vantagem sobre Riccardo Patrese (108 contra 56). As diferenças? Havia mais cinco corridas e a vitória já valia dez pontos. De resto, o Williams do britânico que nunca conseguiu vencer em Monte Carlo era esmagadoramente superior à concorrência.