Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

É Desporto

É Desporto

Bobby Pearce. Até houve tempo para «dar pão aos patos»

Especial Jogos Olímpicos (Amesterdão-1928)

Bobby Pearce

Australiano dominou no remo em Amesterdão-1928 e a superioridade foi tão grande que se deu ao luxo de parar uma prova a meio para deixar passar uma família de patos. Vitórias em todas as eliminatórias e medalha de ouro olímpica no final nunca estiveram em risco.

Há «factos» muito difíceis de alcançar simplesmente por exigirem comparações que não são possíveis. A prova de single scull no remo, nos Jogos Olímpicos de 1928, merece, contudo, uma menção para este campeonato imaginário de demonstrações de supremacia gigantescas.

Esta é a história da medalha de ouro de um australiano chamado Henry Robert Pearce. Bobby Pearce para os amigos e para o mundo do desporto. Nascido em Nova Gales do Sul, chegou a Amesterdão em 1928 com um historial de muita qualidade nas provas de remo, e com apenas 22 anos.

O campeão olímpico em título, Jack Beresford Jr., não participou e julgou-se que a corrida à medalha de ouro poderia ser aberta. Puro engano. Na primeira corrida, Bobby Pearce derrotou Walter Flinsch com 12 comprimentos de vantagem (26 segundos), reduzindo depois para «apenas» oito comprimentos (19 segundos) sobre o dinamarquês Arnold Schwartz.

Os quartos de final foram, ainda assim, o evento que transformou o domínio de Pearce numa história imortal. A vantagem sobre o francês Vincent Saurin era tão grande que, quando uma família de patos se atravessou no seu caminho, o australiano decidiu parar, esperar que passassem em segurança e só depois retomar a sua prova. Apesar deste interregno, a vantagem final foi de uns impressionantes 29 segundos.

Com apenas quatro atletas ainda em prova, a competitividade aumentou mas Bobby Pearce manteve-se intocável. Garantiu uma medalha ao derrotar David Collet com sete segundos de vantagem e, na final com o norte-americano Ken Myers, «fechou» o ouro com praticamente dez segundos.

O período de hegemonia manteve-se quatro anos depois e garantiu a revalidação da medalha de ouro em Los Angeles-1932, com corridas muito mais equilibradas e decididas por pormenores do que em 1928. A supremacia ajudou-o a torná-lo profissional e, como resultado, a abdicar da carreira olímpica.