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É Desporto

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Betty Robinson. Atingir a glória em duas vidas diferentes

Especial Jogos Olímpicos (Amesterdão-1928)

Betty Robinson

Venceu uma medalha de ouro nos 100 metros em Amesterdão-1928 e outra na estafeta dos 4x100 metros em Berlim-1936. Pelo meio, teve um grave acidente de aviação onde chegou a ser declarada como morta. O período de recuperação foi longo e obrigou-a a falhar Los Angeles-1932, mas não impediu que fizesse história perante o olhar dos nazis.

Os Jogos Olímpicos na Holanda em 1928 ficaram marcados pela estreia do atletismo feminino. Na altura, Betty Robinson tinha apenas 16 anos e um passado muito curto de experiência no que a provas de velocidade diz respeito.

Descoberta por um professor do ensino secundário enquanto corria atrás de um comboio, Betty Robinson teve uma ascensão meteórica no mundo da velocidade. Na segunda vez que correu o hectómetro de forma oficial conseguiu igualar a melhor marca de sempre e lançou as sementes do que seria uma exibição esmagadora em Amesterdão.

É impressionante pensar que, antes de chegar aos Jogos Olímpicos, Betty Robinson tinha participado em apenas duas corridas. Ninguém sabia muito bem o que esperar dela e o favoritismo parecia recair num trio de canadianas. De facto, o pódio foi dominado pelo Canadá mas… a medalha de ouro foi para Robinson, com um tempo de 12,2 segundos, igual ao recorde mundial.

O desempenho de Betty Robinson continuou na estafeta dos 4x100 metros mas, aí sim, a superioridade das canadianas fez a diferença, relegando a equipa dos Estados Unidos para a medalha de prata.

Os dois pódios na estreia olímpica fizeram antever um futuro brilhante para Betty Robinson. Quatro anos depois, em Los Angeles, a velocista poderia fazer a diferença a correr perante o seu público, mas a sua vida caiu de um momento para o outro. Literalmente.

Um grave acidente de aviação em 1931 deixou-a muito maltratada e chegou a ser declarada como morta. O diagnóstico inicial estava errado mas o período de recuperação seria muito longo e era impossível prever se conseguiria voltar a andar, quanto mais competir contra as melhores do mundo.

Betty Robinson esteve sete semanas a lutar pela vida, passou os seis meses seguintes numa cadeira de rondas e foi obrigada a superar um período de dois anos até conseguir voltar a andar normalmente. Correr continuava a ser um objetivo distante, mas a norte-americana não desistiu e viajou até Berlim, em 1936, para fazer parte da estafeta dos 4x100 metros.

Foi o regresso perfeito. Beneficiadas pelo facto de a equipa da Alemanha Nazi ter deixado cair o testemunho no quarto e derradeiro percurso, as norte-americanas foram campeãs olímpicas com sete décimos de segundo de vantagem sobre a Grã-Bretanha. Para Betty Robinson, então com 24 anos, foi a segunda medalha de ouro olímpica. E a mais saborosa.