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É Desporto

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Archie Hahn. O Meteorito de Milwaukee

Especial Jogos Olímpicos (St. Louis-1904)

Archie Hahn

Era o homem mais rápido do mundo no início do século XX e fez questão de prová-lo nos Jogos Olímpicos de St. Louis em 1904. O atleta do Wisconsin chegou, viu e venceu, conquistando a medalha de ouro nas provas dos 60, 100 e 200 metros sem dar hipóteses à concorrência. De certa forma, foi o primeiro Usain Bolt da história.

Archie Hahn tirou Direito na Universidade do Michigan mas não exerceu advocacia um único dia da sua vida. A paixão pela corrida era pura e consumia-lhe todo o seu tempo. Não se dava ao luxo de perder uma única décima de segundo a ler leis, a defender inocentes ou a acusar culpados. Queria correr. E queria fazê-lo da forma mais rápida possível.

Quando chegou aos Jogos Olímpicos de St. Louis em 1904, Hahn era uma potência do atletismo. Conhecido pelas suas largadas imparáveis – daí a alcunha de Meteorito de Milwaukee -, não teve muitas dificuldades para levar de vencida as três distâncias mais curtas do atletismo daquela edição. Mesmo quando foi forçado a sair uma jarda atrás da concorrência após cometer uma falsa partida nos 100 metros.

Archie Hahn foi o primeiro atleta da história a juntar o título olímpico dos 100 metros ao dos 200. E na prova que hoje já não tem expressão, nos 60 metros, também demonstrou que era especial: ganhou com duas décimas de segundo de vantagem sobre a concorrência e igualou o recorde olímpico de Alvin Kraenzlein.

Nos 100 metros, a tal prova em que foi obrigado a recuar uma jarda – a penalização padrão para as falsas partidas -, Hahn fez mais do mesmo, ganhando com duas décimas de vantagem e com um tempo total de 11 segundos redondos.

O norte-americano de 23 anos era o mais rápido e demonstrava-o com a mesma naturalidade, independentemente das distâncias. Porém, foi nos 200 metros que o conseguiu fazer de forma mais dominadora. Numa altura em que a distância era percorrida apenas em linha reta, Hahn segurou o terceiro e derradeiro título olímpico da sua carreira ao cumprir a distância com um tempo de 21,6 segundos, com três décimas de vantagem sobre o compatriota Nathaniel Cartmell.

O adeus aos Jogos Olímpicos marcou uma nova fase na sua carreira. A advocacia continuou a ser uma miragem: Hahn queria dedicar-se exclusivamente aos sprints e chegou a aceitar o desafio de uma corrida de circo contra um cavalo. Ganhou.

A competência e nível técnico de Archibald Hahn levaram-no a prosseguir o caminho de treinador, ajudando a moldar os sprinters do futuro. Para muitos, o norte-americano foi o primeiro verdadeiro teórico da arte de sprintar. O currículo fala por ele.