Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

É Desporto

É Desporto

Angie Ponce. O hat-trick mais insólito na história dos Mundiais

Angie Ponce fez história contra a Suíça

Nasceu a 14 de julho de 1996 e estreou-se no Mundial-2015 com apenas 18 anos. O Equador participou pela primeira vez numa fase final e a vulnerabilidade foi demonstrada jogo após jogo. Contra a Suíça, houve três jogadoras a marcar três golos, mas Angie Ponce conquistou o título de hat-trick mais insólito.

 

Quando mais de 31 mil pessoas entraram num estádio em Vancouver, não faziam a mais pequena ideia de que se preparavam para assistir a um encontro que faria história por inúmeras razões. A Suíça goleou o Equador (10-1) e ajudou a igualar o recorde de golos num só jogo da fase final (Alemanha-Argentina, 11-0, em 2007). Fabienne Humm marcou três golos num espaço de cinco minutos e bateu a marca de Mio Otani, que tinha feito um hat-trick em oito minutos, ao serviço do Japão em 2003.

 

Os motivos de destaque deste jogo seriam um pesadelo para quem estivesse obrigado a escrever apenas duas ou três linhas sobre o jogo numa coluna lateral de um jornal qualquer. Por onde pegar? O que dizer? Não podem ser mais linhas? Foi um jogo com três hat-tricks. Ficou 10-1. Houve recordes a serem batidos. Houve os primeiros golos na história das fases finais de Suíça e Equador. Houve… Angie Ponce.

 

A defesa esquerda do Equador era uma adolescente em 2015. Fora titular na estreia com os Camarões (derrota por 0-6) e mantivera a confiança da selecionadora Vanessa Arauz para o segundo jogo. Correspondeu com um feito histórico. Mas indesejado.

 

Com um primeiro autogolo aos 24 minutos, tornou-se a autora do primeiro golo da Suíça em fases finais. Com um pontapé de penálti aos 64 minutos, tornou-se a autora do primeiro golo do Equador em fases finais. Repetitivo? Pois, só muda o país.

 

Isto, por si só, seria suficiente para tornar a história desta jogadora importante neste jogo, nesta fase final, nesta prova. Mas Ponce foi ainda mais longe e marcou um segundo autogolo aos 71 minutos, completando o hat-trick (onde está escrito que autogolos não contam para hat-tricks?) mais insólito na história do futebol feminino.

 

De todo o futebol? Isso já é elevar a fasquia. Talvez seja, mas só porque em 1976, Chris Nicholl marcou quatro golos. Isso mesmo, num jogo entre o Aston Villa e o Leicester, o jogador da equipa de Birmingham abarbatou-se de todo o destaque e fez todos os golos de um jogo que terminou empatado a dois golos. Com Angie Ponce, o Equador foi esmagado pela Suíça (1-10).

 

Fabienne Humm e Ramona Bachmann merecem notas de rodapé neste texto. A primeira fez o tal hat-trick num espaço de cinco minutos, com golos aos 47’, 49’ e 52’. A segunda fez o terceiro hat-trick do encontro: quando marcou aos 60’ e 61’, ainda se pensou que a marca de Humm podia ser batida (que loucura seria?), mas o terceiro festejo só surgiu aos 81 minutos.

 

Que jogo de doidos!