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É Desporto

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Alfred Hajos. O campeão de natação que viu o pai morrer afogado

Especial Jogos Olímpicos (Atenas-1896)

Alfred Hajos

A história do primeiro campeão da natação é muito mais do que isso. O húngaro, que também jogou pela seleção de futebol, tornou-se a segunda figura da história a acumular uma medalha olímpica desportiva com uma medalha olímpica… artística.

Nasceu Arnold Guttmann e ficou preso a uma maldição: tinha apenas 13 anos quando o pai morreu afogado no Danúbio. Foi nesse momento que decidiu dar uma volta à sua vida, aprender a nadar, e passar a ser conhecido por Alfred Hajos.

Quando os Jogos Olímpicos de Atenas tiveram lugar, Hajos era um estudante de arquitetura com apenas 18 anos. Tinha aprendido a nadar há apenas cinco anos mas sentia-se pronto para competir com os melhores nadadores do mundo, e lutar por títulos olímpicos.

A natação em 1896 não tem comparação possível com a que conhecemos hoje. Hoje há piscinas construídas ao pormenor, com a temperatura da água controlada e inúmeras preocupações com a diminuição do atrito, que vão do próprio fato utilizado à ausência de pelos. Na altura, a natação era, à falta de melhor palavra, arcaica. As provas disputaram-se em mar aberto e pequenas embarcações serviram de blocos de partida aos atletas.

A temperatura – do ar e da água – não ajudou e as ondas tornaram as provas ainda mais complicadas, mas Alfred Hajos fez história. Não só foi o primeiro campeão da modalidade, como conseguiu juntar o título dos 1200 metros livres ao dos 100 metros livres.

O bicampeão não voltou a fazer história no desporto olímpico. Depois de voltar à Hungria teve de se concentrar nos estudos – que tinha deixado a meio – mas não evitou uma nova experiência atlética, jogando futebol no início do novo século, e assumindo o comando técnico da seleção em 1906. Pelo meio, teve também uma curta carreira como árbitro.

Os caminhos de Hajos voltaram a cruzar-se com o olimpismo em Paris, em 1924. Aos 46 anos, estava demasiado velho para fazer a diferença na natação mas fez dupla com outro antigo atleta olímpico – Dezso Lauber – nas competições de arte. Na componente de arquitetura, Hajos e Lauber desenharam um estádio e conquistaram a medalha de prata. O talento arquitetónico de Hajos pode ser comprovado ainda hoje em dia. Um dos seus edifícios foi anfitrião dos Campeonatos Europeus de Natação em 2010.

Hajos tornou-se a segunda figura da história a acumular uma medalha desportiva com uma medalha artística em Jogos Olímpicos. O primeiro tinha sido Walter W. Winans. O feito do norte-americano ganha ainda mais protagonismo por ter conseguido acumular distinções olímpicas desportivas e artísticas na mesma edição – Estocolmo-1912. Foi segundo classificado no tiro e campeão olímpico numa prova de escultura. Antes, em Londres-1908, já tinha conquistado um título no tiro.

A maior diferença de Hajos para Winans? A natação é vista como uma modalidade olímpica premium, ao contrário do tiro.