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É Desporto

Uma semana no centro do Mundial-2006

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Um mundial aos 15 anos dificilmente pode ser considerado o primeiro mundial de alguém (mesmo que me seja muito difícil de lembrar de outro qualquer antes desse - mas a verdade é que também me lembro de pouco do de 2014). Mas, para sempre, esse será o «meu» mundial, aquele em que vivi durante uma semana no centro da ação,​ acordei com barcos de croatas a espreitarem pela minha janela e assisti ao Brasil-Austrália na Casa das Culturas do Mundo de Berlim.  

 
Uma feliz coincidência
 
A história de como fui parar a Berlim no meio do Mundial começa uns meses antes, com o meu aniversário. Na família somos adeptos de experiências e, aproveitando uma amiga sediada na capital alemã, foi-me oferecida uma semana em Berlim - quando acabassem as aulas. Eu sei que seguramente não fiz essa ligação, e tenho as minhas dúvidas que quem patrocinou a viagem o tivesse feito, mas o que é certo é que as aulas acabavam precisamente quando o torneio começava na Alemanha - e aí estava, de armas e bagagens, a caminho do centro da ação.
 
Ao contrário de outros, não faço ideia do que se passou no Mundial. Sei que Portugal jogou com Angola na partida inaugural da seleção, que assisti num parque da cidade, com direito a concerto da Sara Tavares no intervalo. E que houve um Brasil-Austrália, porque a esse assisti na Casa das Culturas do Mundo, numa amálgama de verde e amarelo em que não se distinguiam brasileiros de australianos.
 
Aquilo que me ficou marcado na memória foram os controlos de segurança que tínhamos de passar para chegar às Portas de Brandemburgo; o facto de todos os dias acordar com barcos cheios de adeptos vestidos a rigor a espreitar pela minha janela (estava alojada num edifício contruído por Hinrich e Inken Baller que é paragem turística obrigatória na zona); o ambiente que se vivia na rua.
 
Berlim é uma das minhas cidades favoritas. Não sei se o Mundial de 2006 teve que ver com isso - já lá estive depois disso e continuo a adorar a cidade - mas não seria de estranhar que tivesse. Para mim, a cidade hoje é sinónimo de festejos, de camisolas coloridas e caras pintadas, de gente de todo o mundo que partilha a mesa do café ou do pub. E se isso não é o que deve ser um mundial (de futebol ou outra coisa qualquer), não sei o que é.