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É Desporto

Quando Bill Belichick mudou o futuro dos Patriots… e dos Jets

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Treinador foi anunciado como responsável dos Jets a 3 de janeiro de 2000 e demitiu-se durante a conferência de imprensa de apresentação no dia seguinte. Até ao final do mês chegou a acordo com os Patriots e abriu caminho para a conquista de cinco Super Bowls. 

 

O princípio da incerteza

 

Bill Belichick cresceu na sombra de Bill Parcells. Era o seu mestre e, enquanto discípulo, foi bebendo tudo o que conseguia. Ano após ano, ganhou tarimba e assumia-se cada vez mais como alguém capaz de orientar uma equipa com sucesso.

 

Em 1997 foi mesmo apresentado como sucessor de Parcells nos Jets, depois de este ter saído em divergência com a direção. Mas foi sol de pouca dura. As negociações voltaram atrás e Belichick foi despromovido aos cargos que ocupava, de assistente e coordenador defensivo. Contudo, foi adicionada uma cláusula ao contrato que o apontava como sucessor quando Parcells saísse.

 

Esse dia chegou no final da época de 1999. A 3 de janeiro, conforme prometido, os Jets anunciaram Bill Belichick como treinador, agendando a conferência de imprensa para o dia seguinte. À hora marcada, o novo técnico subiu ao palanque e leu o que tinha escrito numa folha de papel (há quem diga que tenha sido um guardanapo): «Demito-me como treinador principal dos New York Jets».

 

Isso mesmo. As primeiras palavras de Bill Belichick como treinador dos New York Jets foram… «demito-me como treinador principal dos New York Jets». A conferência não ficou por ali. Durante meia hora, o técnico explicou um pouco da sua decisão e criticou a incerteza que rodeava o seu cargo quando relacionado com os futuros proprietários dos Jets.

 

A entrada dos Patriots em cena

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O desemprego durou pouco mais de duas semanas. A 20 de janeiro de 2000, os New England Patriots anunciaram que tinham chegado a acordo com Bill Belichick para suceder a Pete Carroll, atual treinador dos Seattle Seahawks e que na altura tinha acabado de ser despedido.

 

«Espero que esta conferência de imprensa corra um pouco melhor do que a última em que estive presente», brincou, num registo que hoje parece muito invulgar para alguém como Belichick.

 

Os Jets reclamaram. Sentiam-se traídos e fizeram questão de fazer ver à NFL que Belichick ainda tinha contrato com a equipa, pelo que teriam direito a uma compensação. O comissário da NFL, na altura Paul Tagliabue, concordou e determinou que os Patriots teriam de ceder a sua escolha na primeira ronda do draft desse ano.

 

Os Jets usaram essa escolha (a 18.ª da primeira ronda) para selecionar um quarterback. Chad Pennington, da Universidade de Marshall, foi o selecionado. Os New England Patriots não se incomodaram e também escolheram um quarterback… mas apenas na sexta ronda, mais concretamente na 199.ª escolha. O nome? Um tal de Tom Brady.

 

O resto é história. Na época de 1999, Patriots e Jets acabaram ambos com um registo de oito vitórias e oito derrotas. Desde então, os Jets ganharam 132 jogos e perderam 140, conquistando uma vez a divisão Este da AFC e sem títulos na Super Bowl. Já a dupla Belichick-Brady segue com 201 vitórias e 71 derrotas, 14 títulos na divisão Este da AFC e cinco Super Bowls.

 

«Ter saído da equipa já foi mau… mas ter saído da equipa para ir para os Patriots deu-me vontade de vomitar», admitiu Mike Greenberg, um famoso jornalista e adepto dos Jets. A cada época que passa, a náusea deve ser cada vez maior. Aquele dia de janeiro parece cada vez pior e não tem forma de melhorar.

RPS