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É Desporto

Pat Tillman. Jogar na NFL e morrer no Afeganistão

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Jornada ficou marcada pela homenagem aos veteranos. Os Arizona Cardinals e a liga de futebol americano fizeram questão de lembrar, uma vez mais, o jogador que morreu por patriotismo em 2004.

 

Nada batia o hino

 

Foi um dos segmentos que passou este fim de semana durante os jogos da décima semana da NFL: numa entrevista a um canal de televisão, Pat Tillman revelava como se mentalizava antes de cada jogo com os Arizona Cardinals. Como ia aumentando o grau de concentração e adrenalina a cada fase de preparação e aquecimento antes do apito inicial. Falava de uma escala de 1 a 10 e dizia que o objetivo era entrar no jogo com seis, para estar controlado. O jornalista pergunta-lhe pelo momento do hino. «Não, aí estou mesmo a dez! É o momento em que me deixo mesmo levar, o hino é o hino. Depois logo recupero», dizia, entre sorrisos.

 

Pat Tillman, nascido a 6 de novembro de 1976 na Califórnia, era um apaixonado pelo seu próprio país e pelo futebol americano. Na universidade, deu nas vistas como linebacker de Arizona State e na altura de dar o passo para a NFL manteve-se no estado, sendo selecionado pelos Arizona Cardinal em 1998.

 

Esteve na NFL até ao final da época de 2001, marcada pelo ataque terrorista nos Estados Unidos a 11 de setembro. Quando a temporada terminou, recebeu uma proposta de 3,6 milhões de dólares por um contrato de três anos com os Cardinals.

 

Recusou. A carreira na NFL tinha terminado. Tinha 25 anos e ia alistar-se no exército norte-americano. A prioridade tinha mudado, sentia que o país precisava dele.

 

«O meu bisavô combateu em Pearl Harbor. E muita da minha família combateu em guerras. E eu ainda não fiz nada, nada que me fizesse combater com o inimigo e estar sob ameaça», explicou.

 

União familiar

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O jogador de futebol americano não foi o único na família Tillman a alistar-se a 31 de maio de 2002. O irmão Kevin, que tinha um contrato válido com os Cleveland Indians (basebol), seguiu o mesmo caminho, deixando o desporto para trás.

 

Pat cumpriu o treino necessário e em 2003 integrava a primeira comitiva a chegar ao Iraque. Uns meses depois, já regressado aos Estados Unidos, foi destacado para nova missão, agora no Afeganistão.

 

A 22 de abril de 2004 morreu. Numa primeira versão, escreveu-se que tinha sido assassinado pelo inimigo, numa emboscada junto à estrada em Sperah. No entanto, após investigação, apurou-se que tinha morrido por culpa de fogo amigável na sequência da troca de disparos com milícias afegãs.

 

De acordo com a autópsia, Tillman foi atingido na cabeça com três tiros. «Ele e eu estávamos a gritar “Parem! Parem! Não disparem! Mas não nos ouviram», conta um soldado que permaneceu anónimo.

 

Quando finalmente pararam, Tillman e o companheiro sentiram que o pior tinha passado. Puro engano. Os disparos voltaram e Tillman não se conseguiu proteger a tempo. «Ele continuava a gritar que era o Pat Tillman mas ninguém conseguia ouvir. Gritava, gritava até parar. Quando percebi, tinha o ombro cheio de sangue dele. Quando olhei, vi que a cabeça dele tinha desaparecido».

 

Reações e repercussões

 

No funeral, Maria Shriver, a mulher do Governador da Califórnia (Arnold Schwarzenegger), elogiou o caráter de Pat: «Tinha tudo. Inteligência, a beleza de um galã de Hollywood, uma mulher adorável, capacidade atlética, fama. Uma carreira promissora e lucrativa. Quem, entre nós, poderia abandonar tudo isto?»

 

Um porta-voz da Casa Branca reagiu poucos dias após a morte de Pat Tillman. «Era uma inspiração dentro e fora de campo. A sua família está nas preces do presidente e da senhora Bush», disse Taylor Gross num comunicado.

 

Patriótica ou não, a morte de Pat Tillman levantou muitas suspeitas. A confusão do tiroteio com forças amigáveis levantou muitas dúvidas e não demorou muito tempo até surgirem as primeiras teorias de que a administração Bush estava a encobrir a verdade dos factos.

 

Entre as teorias, estão as de que o soldado estava descontente com os verdadeiros propósitos da missão no Afeganistão e que o atirador estava demasiado próximo para não perceber que Tillman era norte-americano.