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É Desporto

O dia em que Guardiola foi batoteiro e o Barça cumpriu uma promessa a pedalar

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A vitória na Taça dos Campeões Europeus obrigou o Barcelona de Cruijff a cumprir uma promessa. A «Volta a Barcelona» teve quase 60 quilómetros e Pep esteve perto de agarrar a camisola amarela… 

 

Prometeram... vão ter de cumprir

 

Tinham passado apenas seis dias da conquista da Liga Espanhola e 24 do 1-0 à Sampdoria na final da Taça dos Campeões Europeus. Estamos em 1992, à boleia da Dream Team de Johan Cruijff. A Catalunha vivia um verão mágico, com essas conquistas e ainda com a organização dos Jogos Olímpicos.

 

Os da fé, ou de desespero, costumam pedir milagres e agarrar-se a promessas. Foi isso que aconteceu com a equipa catalã. O caneco da Taça dos Campeões Europeus mudou-se para Camp Nou, graças àquele tiro de Koeman, por isso havia que cumprir o prometido: subir de bicicleta até Montserrat, para agradecer à virgem por aqueles momentos com cheirinho a céu.

 

Foi uma loucura, lembra o artigo do El País de 14 de junho de 1992. Os carros descansavam por todo o lado, sem rei nem roque; havia bandeiras com as cores do Barça e da Catalunha, naquele vermelho e amarelo que grita outros fados políticos. Os sorrisos multiplicavam-se. Soava ainda o hino que joga bonito: «Tot el camp, es un clam, som la gente blaugrana...»

 

«Apoteótico», comentou então Joan Gaspart, o vice do Barcelona, que seria presidente aquando da saída de Luís Figo para o Real Madrid. «O problema são as pessoas a transbordar», dizia Josep Lluís Núñez, o presidente. José Mari Bakero, o homem com uma cabeleira impecável, estava orgulhoso: «É isto que faz um grande clube». Johan soltou um mero «não os deixam nem respirar». É que os jogadores tinham de subir quase 60 quilómetros.

 

Os culés contavam com craques como Stoichkov, Laudrup e Pep Guardiola, o menino de 21 anos que, jogando a 6, usou a camisola 10 na final. O mar de gente não serenava. Acompanhava-os uma confusão, com malta da corrida, carros, motas e outros montados nas bicicletas mais ou menos dignas de uma aventura daquele gabarito. Os aplausos e a gritaria davam gás àquela gente. No vídeo da «Volta a Barcelona» não se vislumbram os jogadores. Há um homem, de amarelo, que parece Johan Cruijff. Talvez seja imaginação.

 

Quem chegou em primeiro lugar foi precisamente o futuro capitão e treinador do Barcelona, agora no Manchester City. Guardiola apareceu primeiro, mas os organizadores tiraram-lhe das mãos a camisola amarela, pois foi ajudado por Joan Gaspart nos últimos metros. A fotografia do artigo parece deixar poucas dúvidas. Quem saiu vitorioso da Vuelta foi Albert Ferrer, o lateral direito com quem Pep também venceria os Jogos Olímpicos em agosto, contra a Polónia de Juskowiak.

HTS