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É Desporto

Morolake Akinosun. Está no Twitter, é verdade

Morolake Akinosun

«Em 2016 terei 22 anos, terei acabado o curso numa faculdade que ainda não escolhi e irei aos Jogos Olímpicos», escreveu no Twitter a 28 de julho de 2011. Hoje, a norte-americana de origem nigeriana faz parte da equipa de estafetas dos 100 metros. 

 

«Foi mais um sonho. Um objetivo tem de ser algo realista»

 

Morolake Akinosun tinha 17 anos quando escreveu uma previsão no Twitter a dizer que quatro anos depois estaria licenciada e a participar nos Jogos Olímpicos. Podia ser apenas mais um tweet, perdido no meio de tantos outros numa rede social, mas a velocista recuperou-o, quatro anos e dois dias depois.

 

«Tweetei isto há seis anos. Estamos em 2016. Acabo o curso na Universidade do Texas em dezembro. Na próxima semana vou para os Jogos Olímpicos», disse, tornando-se numa das histórias mais procuradas antes do arranque do evento no Rio de Janeiro.

 

«Na altura em que o fiz, foi mais um sonho e uma aspiração. Um objetivo tem de ser algo realista. Não estava ainda a esse nível e não sabia com certeza se alguma vez lá ia conseguir chegar. Sabia que queria…», explica.

 

Akinosun é melhor a prever do que a lembrar-se exatamente do que se passou. Em várias entrevistas, revela que fez o tweet enquanto estava em casa a ver os Mundiais de Atletismo de Daegu. Mas estes só se disputaram no final de agosto. O mais provável é que estivesse a ver a etapa da Diamond League de Estocolmo.

 

«Vê-los pode ter-me inspirado», confessa a atleta que faz parte da equipa de estafetas dos Estados Unidos para os 100 metros.

 

Exemplo para quem vem atrás

Morolake Akinosun

A previsão concretizada vai servir de exemplo para quem tem sonhos. Essa é, pelo menos, a ideia que Morolake quer passar: «Quero encorajar as raparigas a ir em frente. Se têm um sonho, procurem-no, não interessa quão grande é, não interessa o que os outros pensam. É o teu sonho, vai atrás dele. É possível.»

 

O de Morolake foi concretizado na prova de qualificação para os Jogos Olímpicos dos Estados Unidos, em Eugene. «Quando cruzei a linha de meta, senti um pouco de descrença. Mas quando percebi que tinha conseguido, comecei a chorar.»

 

«Nem sempre foi fácil. E ninguém sabe o trabalho que tive durante os cinco anos que se passaram entre os dois tweets», atira.

 

Morolake Akinosun terminou a prova no quarto lugar com um tempo de 10,95 segundos. Falhou a presença na prova de 100 metros (reservada às três primeiras: English Gardner, Tianna Bortoletta e Tori Bowie) mas foi o suficiente para entrar na equipa de estafetas.

 

Representar os Estados Unidos

 

A oportunidade de correr pelos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos será o melhor momento da sua vida. «Significa tudo para mim, especialmente por não ter nascido aqui e ter esta hipótese. É muito, muito importante», confessa.

 

«No secundário, sabia que ia para o atletismo, para a velocidade. Já tinha visto na televisão mas não fazia ideia do quão importante seria, que parte tão grande da minha vida iria consumir», acrescentou.

 

Mas a vida não é só atletismo. Quando acabar o curso de Biomecânica no Texas, Morolake Akinosun quer poder fazer algo pelas outras pessoas. O objetivo é ajudar atletas amputados que precisem de próteses.

 

«Será a minha forma de retribuir», diz, lembrando a motivação que sentiu depois de conhecer alguns atletas paralímpicos durante os Jogos Pan-Americanos em Toronto.

 

RPS