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É Desporto

MLB. A antevisão das dez equipas nos playoffs

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Outubro chegou. É o mês de todas as decisões no basebol, com dez equipas a lutar pela World Series, conquistada em 2015 pelos Kansas City Royals. Para já, apenas uma certeza: o reinado vai mudar de mãos. Os Chicago Cubs são favoritos e podem terminar uma seca de 108 anos sem títulos mas resistirão à pressão?

 

 

AMERICAN LEAGUE 

 

Texas Rangers (93-69)

Cole Hamels

Perderam a World Series em 2010 (San Francisco Giants) e 2011 (St. Louis Cardinals) e estão em excelente posição para conseguirem uma nova presença e conquistarem finalmente o título. Com o melhor registo da American League, terão a vantagem de jogar em casa caso seja preciso um jogo para desempatar, mas há números que são preocupantes.

 

Os 757 pontos sofridos durante a fase regular são o pior registo de todas as dez equipas presentes nos playoffs. Entre as 15 equipas da Liga Americana, só mesmo os Oakland Athletics e os Minnesota Twins (889) fizeram pior.

 

Cole Hamels é a grande figura entre os lançadores (15 vitórias e cinco derrotas em 32 jogos - há encontros em que não é atribuída vitória ou derrota ao lançador que inicia a partida) e o seu ERA (pontos que um lançador sofre por nove innings jogados) é de 3,32. Uma boa notícia para os texanos é o regresso de qualidade do japonês Yu Darvish, que poderá ajudar à rotação dos lançadores.

 

A nível ofensivo, Rougned Odor lidera em home runs (33) e Ian Desmond em hits (178). Adrian Beltre, Carlos Beltran e Elvis Andrus são outras ameaças num alinhamento que não conta com Prince Fielder. Outrora uma das maiores ameaças da MLB, o jogador foi forçado a acabar a carreira após uma segunda operação às costas.

 

Para já, os Rangers ainda não têm adversário. O adversário da ALDS (American League Divisional Series) será o vencedor do encontro entre os Toronto Blue Jays e os Baltimore Orioles, marcado para esta terça-feira.

 

Cleveland Indians (94-67)

Terry Francona

A série de três vitórias consecutivas a fechar a fase regular permitiu à equipa do Ohio garantir o fator-casa no duelo contra os Boston Red Sox, considerados uns dos principais favoritos ao título.

 

O historial da equipa de Terry Francona está longe de ser brilhante, com apenas dois títulos conquistados – o último deles em 1948. Mas o técnico sabe bem o que é acabar longos jejuns: afinal, era ele que estava ao leme dos Red Sox no histórico título de 2004, que pôs termo a uma seca de 86 anos sem ganhar.

 

O que têm os Indians de bom que lhes permita sonhar? Acima de tudo, organização. A lesão do lançador Corey Kluber, previsto para o jogo 2 da série, chegou a assustar, mas os sinais de recuperação são otimistas. O lançador é mesmo a maior arma, graças às 18 vitórias em 32 jogos e a um ERA de 3,14.

 

No ataque, a ausência de Michael Brantley, um dos melhores jogadores da equipa nas últimas épocas, não parece ter feito grande mossa. O batedor designado Carlos Santana lidera em home runs (34) e o shortstop Francisco Lindor tem feito a diferença nas pequenas coisas, fazendo tudo bem e somando 182 hits na fase regular. Destaque também para Mike Napoli, catcher que foi campeão com os Red Sox em 2013. É ele o líder nos RBI (pontos conseguidos através das suas ações), com 101.

 

Durante a fase regular, em seis jogos, os Indians só ganharam dois aos Red Sox.

 

Boston Red Sox (93-69)

David Ortiz

Tem sido uma equipa de extremos. Em 2012 foram os últimos da divisão. Em 2013, ganharam-na e só pararam com o título. Depois, em 2014 e 2015 voltaram a descer ao inferno, apesar do investimento. Esta época, a contratação do lançador David Price foi a grande novidade e a equipa correspondeu, ganhando novamente a Divisão Este da Liga Americana.

 

O último mês da temporada, que incluiu uma série de onze vitórias consecutivas, garantiu o lugar nos playoffs, mas as cinco derrotas nos últimos seis jogos impediram que pudessem ter o fator-casa. Ainda assim, a enorme profundidade no ataque é um dos elementos que está a ser apontado a quem lhes dá o favoritismo para chegar à World Series.

 

Em época de despedida de David Ortiz, tudo parece estar a correr bem. Mookie Betts (214) e Dustin Pedroia (201) ultrapassaram os 200 hits, mas as ameaças ofensivas não se ficam por aqui, com David Ortiz (38 home runs), Hanley Ramírez (30 home runs e 111 RBI) e Xander Bogaerts (192 hits) a conseguiram lugares de destaque.

 

Feitas as contas, os Red Sox terminaram a fase regular com o melhor ataque da MLB (878 pontos). O adversário desta ronda, os Cleveland Indians, fizeram menos 101. Será que a defesa é o problema?

 

Nem por isso. Rick Porcello (22-4 com ERA de 3,15) e David Price (17-9 com ERA de 3,99) formam uma das duplas mais fortes de lançadores iniciais. A partir daí, sim, poderá haver problema, com Clay Buchholz, Eduardo Rodríguez e Drew Pomeranz a afigurarem-se como opções seguintes. De fora está uma das figuras da primeira metade da época: o knuckleballer Steven Wright. Antes da lesão, seguia com 13 vitórias, seis derrotas e um ERA de 3,33.

 

Uma última curiosidade: John Farrell, o treinador dos Red Sox, foi assistente durante muitos anos de Terry Francona e os dois têm uma amizade muito forte. Esta será a primeira vez que estarão frente-a-frente nos playoffs.

 

Toronto Blue Jays (89-73)

Edwin Encarnacion

Quando a época começou, a única equipa canadiana da MLB era vista como a grande favorita ao primeiro lugar no Este, mas o ressurgimento dos Boston Red Sox arredou-a para a luta pelo jogo do wild-card. As duas vitórias em Boston, na última série da fase regular, garantiram que o jogo decisivo, frente aos Orioles, fosse disputado em casa, mas um horizonte com os Rangers do Texas é pouco promissor.

 

A equipa de Toronto tem dois títulos no palmarés (1992 e 1993) e garantiu a segunda presença consecutiva nos playoffs depois de uma ausência que durava desde… precisamente o último título.

 

Edwin Encarnacion (42 home runs) e José Bautista (22 home runs) são os grandes dínamos do ataque – e estão ambos em final de contrato – de uma equipa que conta ainda com o auxílio de Josh Donaldson (164 hits), Troy Tulowitzki (125 hits) e Kevin Pillar (146 hits).

 

A qualidade dos lançadores pode mesmo ser a grande vantagem da equipa canadiana. Aaron Sánchez terminou a fase regular com um registo de 15-2 e um ERA de 3,00, J. A. Happ com 20-4 e 3,18 e Marco Estrada com 9-9 e 3,48. Contra os Orioles, só um deles terá de aparecer ao mais alto nível para garantir que o sonho continua vivo.

 

Baltimore Orioles (89-73)

Mark Trumbo

Durante muitos anos, os Orioles foram os coitadinhos da Divisão Este da Liga Americana. Não é fácil fazer mais quando do outro lado estão históricos como os New York Yankees e os Boston Red Sox. Mas os últimos anos têm mostrado uma nova face da equipa que se sagrou campeã em 1966, 1970 e 1983.

 

A presença no jogo do wild-card será a terceira presença em playoffs neste milénio, depois das derrotas na Divisional Series em 2012 e na final da Liga Americana em 2014. Será que à terceira é de vez? Não vai ser fácil, nada fácil. Der por onde der, os Orioles jogarão sempre contra a estatística e sem o fator-casa, uma vez que são a equipa com o pior registo nos playoffs na Liga Americana (têm desvantagem no desempate com Toronto).

 

Jogar em casa foi mesmo o grande impulso da temporada dos Orioles. Entre as dez equipas que chegaram a esta fase, só os Dodgers conquistaram menos vitórias fora (38) do que a equipa do Maryland (39).

 

Com Chris Tillman (16-6 e ERA de 3,77) e Kevin Gausman (9-12 e ERA de 3,71) como as principais referências entre os lançadores, é o ataque que costuma fazer a diferença. Em hits, há sete jogadores que passaram a centena, com Manny Machado (188), Adam Jones e Jonathan Schoop (ambos com 164) em posição de destaque.

 

Mas há mais. Mark Trumbo brilhou com 47 home runs e 108 RBI, enquanto Chris Davis contribuiu com 38 home runs. Há jogadores suficientes para explodir um jogo ofensivamente e será necessariamente essa a aposta de Baltimore nestes playoffs, especialmente no único jogo em que se decidirá tudo contra Toronto, já esta terça-feira.

 

NATIONAL LEAGUE

 

Chicago Cubs (103-58-1)

Kris Bryant

Gosta de basebol e não tem uma equipa por quem torcer? Tem uma equipa mas ela não conseguiu o apuramento e, além disso, não é contra nenhuma equipa em específico? Então é impossível não torcer pelos Chicago Cubs.

 

Sem vencer o título desde 1908, os Cubs estão a atravessar o maior jejum da história do desporto profissional nos Estados Unidos. A maldição de Babe Ruth e os 86 anos dos Boston Red Sox são peanuts quando comparados com os 108 anos de tortura que se vivem em Chicago.

 

Será este ano? É sempre incerto mas uma coisa parece garantida: nunca pareceu uma possibilidade tão forte como agora. Os Cubs têm Theo Epstein, o general manager que liderava os Red Sox em 2004, têm Joe Maddon, o treinador que transformou os Tampa Bay Rays em potência, e têm uma equipa demolidora, que acelerou desde abril para o melhor registo da temporada: 103 vitórias, 58 derrotas e… um empate (sim, às vezes também existem).

 

A nível estatístico, não há melhor defesa, com apenas 556 pontos sofridos. Com uma rotação de lançadores iniciais com Jake Arrieta (18-8 e 3,10 de ERA), Jon Lester (19-5 e 2,44 de ERA), Kyle Hendricks (16-8 e 2,13 de ERA), John Lackey (11-8 e 3,35 de ERA) e Jason Hammel (15-10 e 3,88 de ERA), não é difícil explicar os números. Além disso, ainda foram buscar o closer Aroldis Chapman aos Yankees numa troca em julho.

 

Com uma defesa tão boa, o ataque não precisa de marcar tantos pontos. Mas isso também não seria um problema. Kris Bryant é a estrela da equipa (39 home runs, 176 hits e 102 RBI), mas está muito bem acompanhado por nomes como Anthony Rizzo (109 RBI e 170 hits), Ben Zobrist (142 hits), Dexter Fowler (126 hits) e Addison Russell (95 RBI).

 

O grande adversário será mesmo a pressão. A vontade de voltar a ganhar um título é muito grande, para os adeptos tornou-se uma obsessão, e ninguém quer falhar. No ano passado, a expetativa foi enorme no regresso à final da Liga Nacional mas o resultado (quatro derrotas em quatro jogos contra os Mets) serviu de banho de realidade. Como será este ano?

 

O primeiro adversário será o vencedor do encontro entre os San Francisco Giants e os… New York Mets.

 

Washington Nationals (95-67)

Bryce Harper

Quando o brilhante lançador Max Scherzer trocou os Detroit Tigers pelos Washington Nationals em 2015, a jovem figura da equipa Bryce Harper teve uma reação interessante: «Wow, agora onde é que está o meu anel [de campeão]?»

 

Pois é. Os Nationals sabem bem o que é estar na posição dos Cubs, no sentido de estarem reunidos todos os ingredientes e parecer lógico que o título é garantido. Mas, como têm aprendido ao longo dos últimos anos, há uma larga margem entre parecer e estar. Tanto que no ano passado a equipa nem sequer foi aos playoffs.

 

Este ano, a humildade tomou conta da equipa, que cresceu na sombra dos Cubs. O registo é forte e são, naturalmente, um candidato importante. A história, por seu lado, mostra outra tendência, com os Nationals a serem eliminados à primeira em 2012 e em 2014.

 

Com os LA Dodgers como adversários esta época, equipa que dominou os duelos na fase regular (5-1), o fator-casa poderá não ser suficiente. Será obrigatório que cada elemento faça o que lhe compete, tanto defensiva como ofensivamente.

 

No primeiro capítulo, a ausência de Stephen Strasburg, devido a uma lesão no ombro, é apenas mais um episódio de azar na carreira de um prodígio que parece estar a ser mal gerido desde que chegou. Sobram Max Scherzer (20-7 com ERA de 2,96) e Tanner Roark (16-10 com ERA de 2,83). Gio González é outra presença garantida na rotação mas o ERA de 4,57 com um registo de 11 vitórias e 11 derrotas é mais preocupante.

 

Ofensivamente, a equipa que perdeu Ian Desmond para os Rangers tem em Daniel Murphy a estrela incontornável: liderou a equipa em home runs (25), RBI (104) e hits (184). Com 123 hits e 24 home runs, Bryce Harper teve uma época longe do que já mostrou que consegue fazer.

 

LA Dodgers (91-71)

Clayton Kershaw

Não conquistam o título desde 1988 e o forte investimento feito nos últimos anos continua sem dar resultado. A equipa de Los Angeles venceu a divisão pelo quarto ano consecutivo mas nos três anteriores só por uma vez conseguiu passar a primeira ronda.

 

Será diferente agora? O caminho está inclinado mas o histórico da fase regular contra os Nationals (5-1) ajuda a transmitir algum otimismo para a primeira fase. Depois, supostamente com os Cubs, logo se verá.

 

Clayton Kershaw (12-4 e um ERA de 1,69) é a estrela entre os lançadores, mas a lesão de Scott Kazmir atrapalhou as contas. Sobram ainda o regressado Rich Hill (3-2 com ERA de 1,83), Kenta Maeda (16-11 com ERA de 3,48) e Julio Urias (5-2 com ERA de 3,39).

 

A bater, não faltam soluções. Corey Seager chegou aos 193 hits, enquanto Justin Turner liderou os home runs, com 27. Com mais de 100 hits, surgiram ainda Adrian González (162), Justin Turner (153), Chase Utley (129) e Howie Kendrick (124). Falta ver como vão surgir na fase decisiva da época.

 

New York Mets (87-75)

Yoenis Cespedes

O ressurgimento dos Mets na última época foi uma das principais histórias do ano. Pela primeira vez desde 2000, os nova-iorquinos atingiram a World Series, mas não foram além de uma vitória em cinco jogos contra os Kansas City Royals. A seca de títulos continua, ainda assim, desde 1986.

 

O panorama não é animador. Os Mets têm de passar pelo jogo do wild-card (San Francisco Giants) e pelos super favoritos Chicago Cubs antes de chegar à final da Liga Nacional. E mesmo assim ainda só estarão a meio caminho.

 

Noah Syndergaard (14-9 com ERA de 2,60) é o principal nome de uma rotação inicial de lançadores, que conta ainda com o experiente Bartolo Colon (15-8 com ERA de 3,43). Sem a profundidade de outros tempos, poderá ser difícil fazer mais.

 

No ataque, há três grandes soluções: Asdrubal Cabrera (146 hit e 23 home runs), Yoenis Cespedes (134 hits e 31 home runs) e Curtis Granderson (129 hits e 30 home runs). Numa segunda linha ainda há Neil Walker (116 hits e 23 home runs), mas a partir daí fica mais complicado.

 

Acima de tudo, parece curto para durar mais do cinco, seis jogos nestes playoffs.

 

San Francisco Giants (87-75)

Madison Bumgarner

A melhor estatística que os San Francisco Giants têm a seu favor é o facto de ser ano par. Isso mesmo, ano par. Campeões em 2010, 2012 e 2014, os californianos falharam os playoffs em 2011, 2013 e 2015. Se a lógica se mantiver... bom, vocês sabem o resto.

 

Mas será que há material para a lógica se manter? Primeiro do que tudo, é preciso eliminar os Mets, num único jogo, disputado em Nova Iorque, na quarta-feira. Com que armas?

 

O molde da equipa é de campeão. Já não há Tim Lincecum, lançador que foi estrela nos três últimos títulos, mas a rotação tem Johnny Cueto (18-5 com ERA de 2,79), Madison Bumgarner (15-9 com ERA de 2,74) e Jeff Samardzija (12-11 com ERA de 3,81). No ataque, há sete jogadores que conseguiram mais do que 100 hits na temporada, com Buster Posey (155), Denard Span e Brandon Crawford (152 ambos) em primeiro plano.

 

Em relação ao título de 2014 já não há Pablo Sandoval, terceira base que saiu para os Red Sox em 2015. Era ele a maior arma para os home runs. Agora, a equipa está menos construída para bolas longas e mais para bater e correr, com Brandon Belt a aparecer como o líder de home runs (17). Para ter uma noção, basta perceber que há 117 jogadores com mais home runs na fase regular.

 

PALPITES

 

Wild-card

Toronto Blue Jays-Baltimore Orioles, 1-0

New York Mets-San Francisco Giants, 0-1

 

Liga Americana

Cleveland Indians-Boston Red Sox, 1-3

Texas Rangers-Toronto Blue Jays, 3-0

 

Texas Rangers-Boston Red Sox, 2-4

 

Liga Nacional

Washington Nationals-LA Dodgers, 2-3

Chicago Cubs-San Francisco Giants, 3-2

 

Chicago Cubs-LA Dodgers, 4-3

 

World Series

Boston Red Sox-Chicago Cubs, 3-4

 

RPS