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É Desporto

Markus Rehm. O paralímpico que derrotaria os melhores do mundo

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Alemão bateu recorde do mundo no salto em comprimento com 8,40 metros em 2015. A marca seria suficiente para ser campeão olímpico em 2012 e em 2016. Por não ter conseguido provar que a prótese não lhe dá uma vantagem competitiva, não pôde competir nos Jogos Olímpicos. Nos Paralímpicos vai lutar pelo segundo título.

 

Alimentado por objetivos «realistas»

 

«Precisas de objetivos para te manteres motivado, mas têm de ser realistas.» O lema de Markus Rehm diz muito pouco sobre o impacto que tem no desporto paralímpico. Quando em 2002 perdeu a perna direita a fazer wakeboarding, com apenas 14 anos, dificilmente lhe poderiam ter antevisto um futuro tão risonho.

 

O alemão nunca duvidou de si próprio. Com ou sem perna continuaria a fazer desporto, desse por onde desse. «Mesmo nos primeiros dias no hospital sabia que voltaria, de certeza, a praticar. Um ano depois estava de volta ao wakeboard e até comecei a fazer snowboard no inverno», contou.

 

O atleta do Bayer Leverkusen não quis deixar nada ao acaso e até o rumo que deu à sua carreira profissional encaixou na perfeição: formou-se em Ortopedia e Prostética e arranjou forma de garantir que nada lhe faltaria.

 

Em 2008 começou a praticar salto em comprimento e três anos depois, em 2011, sagrou-se campeão mundial pela primeira vez na categoria F44. Era o primeiro de vários passos históricos.

 

Jogos de Londres

 

Markus Rehm estava a desbravar caminho e a margem para melhorar era enorme. Na estreia em Paralímpicos, em 2012, conquistou a medalha de ouro em Londres e estabeleceu um novo recorde do mundo, com 7,35 metros (F44). Além disso, foi medalha de bronze na estafeta dos 4x100 metros (T42-46, para diferentes níveis de atletas amputados).

 

A evolução foi uma constante e em outubro do ano passado chocou o mundo com um sensacional salto de 8,40 metros. «Foi perfeito», resumiu. Para ter uma noção da marca, basta dizer que teria sido suficiente para ser campeão olímpico em 2012 e em 2016.

 

 

«Aquele salto mudou muita coisa para mim e mostrou a muita gente que os Paralímpicos conseguem ser excelentes atletas. Estou a levar-me ao limite para conseguir um bom resultado no Rio de Janeiro, para saltar perto do meu recorde ou, no melhor cenário, bater o recorde. O Brasil é um excelente local para o conseguir.»

 

Sonho olímpico caiu por terra

 

O alemão tentou participar nos Jogos Olímpicos no Brasil, mas a Federação Internacional de Atletismo não autorizou porque o atleta foi incapaz de provar que a prótese não lhe dava uma vantagem competitiva.

 

«Se a minha perna fosse uma vantagem assim tão grande, por que é que os outros paralímpicos não saltam o mesmo que eu? Nos Mundiais, a diferença para o meu principal rival foi de 1,14 metros e tinha o mesmo apoio, técnica e equipamento que eu. Se fosse assim tão fácil, toda a gente estaria a saltar estas distâncias», criticou.

 

Não conseguiu estar nos Jogos Olímpicos mas começa hoje a competir nos Paralímpicos para continuar a fazer história. Com o objetivo, realista, de mudar a forma como as pessoas reagem: «Quando pensas nos Paralímpicos, costumas ouvir a palavra deficiência, mas estou a tentar mudar a atitude com que se encara esta palavra.»

 

Se conseguir, será um pequeno salto para Rehm (oito metros e qualquer coisa) mas um enorme salto para a humanidade.

 

RPS