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É Desporto

Mark Chapman. O jogador que foi preso por fazer uma falta

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A liga era amadora e o britânico do Long Lawford estava farto de ouvir as queixas dos colegas de equipa. O jogo estava quase a acabar mas só terminou depois de Chapman (à direita) partir a perna de Terry Johnson (à esquerda) em dois sítios diferentes. O juiz condenou-o a seis meses de prisão. 

 

Nome de assassino

 

Mark David Chapman acordou a 8 de dezembro de 1980 com um objetivo em mente: matar John Lennon. À porta de casa do cantor, em Manhattan, o assassino disparou cinco tiros – quatro atingiram as costas do membro dos Beatles – e esperou junto ao cadáver até chegar a polícia.

 

O norte-americano foi condenado por homicídio de segundo grau e continua preso, pelo menos até agosto de 2018, altura em que terá a próxima possibilidade de liberdade condicional.

 

Quase trinta anos depois, em outubro de 2009, um outro Mark Chapman acordou para mais um jogo da liga amadora de domingo da região de Rugby. O jogador do Long Lawford não tinha a motivação do seu homónimo mas as circunstâncias do jogo rapidamente alteraram o seu humor.

 

Toda a gente conhece casos semelhantes, especialmente em jogos de amigos. Há sempre aquele que corre menos, que não se esforça tanto, que não está para chatices e não contribui como os colegas. Mark Chapman estava a ser esse jogador. E tinha a paciência a esgotar-se, farto de ouvir as reprimendas dos colegas.

 

O jogo encaminhava-se para o fim, a equipa perdia 1-3 e o árbitro já pensava em terminar. Foi nessa altura que a vida de Terry Johnson, lateral esquerdo dos Wheeltappers, mudou para sempre. Foi na sua perna que a fúria de Mark Chapman, de 20 anos, se concentrou. Uma entrada com o pé alto, com pitons à mostra, partiu-lhe a perna em dois sítios diferentes.

 

Falta levada para tribunal

 

As consequências foram devastadoras. «Aquela entrada arruinou a minha vida. Nunca mais vou voltar a poder jogar futebol», explicou o eletricista de 26 anos que foi obrigado a fazer uma cirurgia reconstrutiva e a colocar parafusos na perna para manter os ossos juntos.

 

O advogado de defesa tentou argumentar que o problema estava no ângulo da entrada e não tanto na força mas o juiz, Robert Orme, não deu margem para dúvida. «Estou preparado para aceitar que foi um ato louco e despropositado cometido no calor do momento. O resultado foi uma perna gravemente ferida, que horrorizou todos aqueles que a viram».

 

Os remorsos imediatos de Mark Chapman ajudaram a «mitigar substancialmente» a pena mas ainda assim foi condenado a seis meses de prisão, a 4 de março de 2010. «No que me diz respeito, acho que teve o que merecia. É o karma», reagiu Terry Johnson.

 

«Foi um ato deliberado. Foi um ato premeditado. Um jogo de futebol não permite que se cometam atos de violência gratuita», concluiu o juiz do tribunal.

 

Esta situação entrou na história como a primeira vez em que uma falta deu origem a uma pena de prisão, garantiu um porta-voz da Federação Inglesa de Futebol: «Houve casos em que houve gente mandada para a prisão por eventos ocorridos num campo de futebol mas nunca deste género».

 

Adeptos quiseram prisão de Zdeno Chara 

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Um ano depois da sentença aplicada a Chapman, houve outro caso que motivou interesse mediático, mais pelo insólito do que pela gravidade da situação. A 8 de março de 2011, em Montreal, num jogo de hóquei no gelo entre os Boston Bruins e os Canadiens, Zdeno Chara teve uma entrada perigosa sobre Max Pacioretty.

 

Os adeptos dos Canadiens não gostaram e entupiram a linha da polícia local com chamadas a reportar a queixa sobre a entrada criminosa. As chamadas foram tantas que a polícia foi obrigada a lançar um apelo, dois dias depois, para que os adeptos parassem de ligar sobre esse assunto, sobretudo depois de a NHL ter anunciado que Chara não seria suspenso.

 

A política foi mais longe e o sargento Ian Lafreniere apelidou a ideia de irresponsável e acusou a imprensa: «Alguém tem estado a dizer às pessoas para ligarem à polícia com a queixa. Isso demonstra uma grande falta de responsabilidade».

RPS