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É Desporto

Maradona. O aquecimento mais bonito da história

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Os génios têm uma outra visão do mundo. Onde um simples humano está habituado a ver um aquecimento normalizado, Diego Armando Maradona viu um bailado, uma dança fenomenal que continua a ser recordada mais de 28 anos depois. A 19 de abril de 1989, o Olympiastadion de Munique assistiu a uma representação única. 

 

Live is life

 

A bola beija a bota e foge, como que se fazendo difícil. Mas aquela Puma King número 39 era irresistível e a bola voltou, descansando o corpo e as costuras por lá. Quem enchia o Olympiastadion, em Munique, começava a aperceber-se do que se estava ali a passar. E tiveram sorte: ninguém se lembrou de cobrar a dobrar. À sua frente, o aquecimento mais bonito da história do futebol…

 

A bola é de quem a obriga a obedecer. A ditadura do talento é o mais especial do futebol. Lá está ela, na testa do génio mais genial, de quem adoramos adorar. O “10” não sabe tirar os olhos dela, elegante e caprichosa.

 

«Live is Life» começa a rugir nos altifalantes do estádio do Bayern Munique. Uns minutos depois ia jogar-se a segunda mão da meia-final da Taça UEFA de 1989. Fez há poucos dias 28 anos. O canhoto começa então a bater palmas, humedece os lábios e dá uma sacudidela nos ombros. E os tambores revelam-se, o ritmo desperta. Ele e o tufo que aquece a nuca acompanham. O punho está fechado, talvez imaginando a festa dos dois golos de Careca que aí vinham. 

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Olha à volta com um ar desconfiado, para ver os sortudos que o rodeiam, enquanto agita a cintura e alonga aqueles nacos que tem nas pernas, que mais parecem roubados a uma besta qualquer. Lá atrás, na bancada, apontam para ele, enamorados, enquanto se deixam entusiasmar pela música dos Opus. E a bola volta ao lugar mais feliz do mundo: o pé esquerdo de Diego Armando Maradona.

 

Começa o malabarismo para gáudio do anfiteatro bávaro. El Pibe volta a investir em mais uns alongamentos, estica o corpo, abana as ancas, faz um movimento com cheirinho a samba, enquanto a bola, paralisada, olhava para ele, sem saber o que fazer. Ele volta a tocar na sortuda, para depois a partilhar com um colega, deixando-a de coração partido. Passaram dois segundos e já tem as mãos a denunciar impaciência e ciúme: «Dámela, boludo», terá pensado.

 

O calcanhar junta-se à festa, os chutões para o ar, idem. Nesta outra revolução de abril, começa outro festival: o das receções. A seguir, o tradicional skipping, sempre exigido pelos treinadores, é feito com a bola a tilintar nas largas coxas. À sua volta o aquecimento parece mais sério. Vê-se menos bola, menos feitiço e fantasia. Ele está apartado da realidade. Entre os adeptos, os olhos derretem-se, escorrem mel, não sabem largar o anjo de Lanús. Diego é como uma droga. Uns têm as mãos a segurar o queixo, para evitar que raspe no chão. Para muitos, aquilo seria suficiente. E ainda faltava o jogo…

 

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«D10s» volta a caminhar com a bola juntinho ao cérebro que pensa o jogo sem pensar. Está feito gingão, agora. A bota da canhota está desapertada, talvez para dificultar a coisa ou impressionar os mortais. Volta a correr uns metros sem deixar a bola cair, com aquele equipamento azul e branco, com o clássico «Mars» cravado nas costas. Lá ao fundo vislumbram-se sorrisos. Maradona é a alegria do povo. Aquela gente tem o melhor jogador do último Campeonato do Mundo a brincar no seu quintal. Ali, a meros 50 metros. Vê-lo ao vivo é vida, como diz a música.

 

A bola continua incansável e fiel ao seu dono. Ombro, ombro, ombro, cabeça, coxa, calcanhar e peito do pé da Puma King, tão simples e graciosa. Uma bandeira da Argentina implora pela sua atenção. Ele nem a vê. Só tem olhos para a miúda que veste de branco e preto, com curvas irresistíveis. Estão quase todos a olhar para ele.

 

De ombro para ombro, o show continua. O homem já deve estar quente. Ela continua a bailar, desejando que aquele momento a dois nunca acabe. Ele é o ditador perfeito. O maestro sublime. Até quando o jeito parece tosco, ou o argentino faz por dificultar a vida à miúda que o encanta, ela acaba sempre onde deve: no lugar que Maradona quer.

 

 

Live is life

Live is life
Live is life

 

When we all give the power
We all give the best
Every minute of an hour
Don't think about a rest
Then you all get the power
You all get the best
When everyone gives everything
And every song everybody sings

 

Then it's life
Live is life
Live is life
Live

 

Live is life, when we all feel the power
Live is life, come on stand up and dance
Live is life, when the feeling of the people
Live is life, is the feeling of the band, yeah

 

When we all give the power
We all give the best
Every minute of an hour
Don't think about a rest
Then you all get the power
You all get the best
And everyone gives everything and every song
Everybody sings

 

Then it's live
Live is life
Live
Live is life

 

Live
Live Is life
Live
Live Is life

 

And you call when it's over
You call it should last
Every minute of the future
Is a memory of the past
'Cause we all gave the power
We all gave the best
And everyone gave everything and every song
Everybody sang
Live is life

HTS