Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

É Desporto

Jake Olson. Os sonhos não se veem, realizam-se

olson.jpg

Soube que ia ficar cego aos 12 anos e pediu para ir ver um treino dos USC Trojans. Foi recebido de braços abertos e a ligação foi ficando cada vez mais forte. Este fim-de-semana fez história ao participar numa jogada da equipa universitária de futebol americano. 

 

Um último desejo

 

Jake Olson tinha doze anos quando soube que a sua vida ia mudar para sempre. O rapaz nascera com um retinoblastoma – um tumor maligno na retina –, ficara sem a visão no olho esquerdo aos dez meses e ia ficar completamente cego em breve, mesmo depois de sucessivas intervenções para salvar o olho direito.

 

«Houve noites de choro e stresse em que não conseguia tirar da cabeça a ideia de que ia ficar cego», confessou. A sua vida nunca mais seria a mesma mas ainda foi a tempo de cumprir um último desejo: tornar-se próximo da equipa universitária de futebol americano dos USC Trojans.

 

Queria estar com a equipa, ver todos os treinos e os jogos que pudesse antes de ser operado. Na altura, foi Pete Carroll (com Olson na foto em baixo), atual treinador dos Seattle Seahawks, quem lhe deu a mão, convidando-o a ele e à família para ir conhecer a equipa.

 

«Sempre que estava com eles, tentei sempre sentir o máximo, como se estivesse a tentar alcançar a bola. E quando estava com a equipa, era pura diversão, não pensava que ia ficar cego», disse Jake Olson.

 

Encontrar um novo propósito

olson1.png

Ir ver um treino dos Trojans foi a escolha de Jake na véspera da operação. Queria guardar ao máximo aquela recordação: seria uma das últimas coisas que veria. A partir daí, nada mais seria igual, apesar de o sonho de ter um papel ativo no futebol americano estar bem sustentado no seu cérebro.

 

Não foi fácil. No secundário, foi falar com o treinador da equipa e recebeu um «nim». «Disse-lhe para voltar na primavera, quando fosse para fazer a equipa. Estava à espera de nunca mais ouvir falar dele mas, quando chegou o dia, lá estava ele à procura de uma oportunidade», recordou o treinador.

 

A mãe de Jake Olson teve medo do objetivo do filho: «Não tinha a certeza se seria uma boa ideia». Mas o jovem adolescente não tinha dúvidas: queria jogar futebol americano e a única opção seria ser long snapper, por ser o único elemento que não precisa da visão para desempenhar o seu papel.

 

Na altura de ir para a universidade, nem havia dúvida sobre a escolha. Com uma bolsa atribuída para atletas com incapacidades, Jake Olson cumpriu o sonho de entrar na University of Southern California e estar perto dos seus Trojans.

 

Profecia inspiradora

 

Estávamos em abril de 2015 e Pete Carroll há muito que não era o treinador dos Trojans. O responsável agora era Steve Sarkisian que, apesar de não acompanhar a história desde o início, não teve problemas em soltar uma profecia inspiradora: «Um dia ainda vai fazer um snap por nós. Quando? Não sei, mas vai acontecer. E quando acontecer será incrível!»

 

O quando foi a 2 de setembro de 2017, oito anos depois de perder a visão. Na primeira semana da época, os Trojans tinham uma vantagem confortável sobre Western Michigan (48-31) depois de mais um touchdown e estava na hora de pôr o plano em marcha.

 

Western Michigan não tinha colocado entraves à situação. Era preciso a vantagem ser grande e os adversários tinham de aceitar a situação como excecional e não pôr em risco a integridade física de um jogador incapaz de recorrer à visão para se defender.

 

«Estava aos gritos», disse a mãe Cindy. «Saltava por todos os lados. Tínhamos gente à nossa volta, mesmo quem não conhecíamos, a gritar também por causa daquele momento. Aquele era o MEU filho. Não foi uma brincadeira, foi história. Foi inacreditável. Era o sonho dele!»

 

O início de uma história maior

A felicidade de Jake Olson era impossível de conter: «Significa o mundo para mim saber que posso ter inspirado muitos através deste momento».

 

No dia seguinte, já mais tranquilo, Jake Olson escreveu um longo agradecimento a todos os que tornaram esta experiência possível e não esqueceu Pete Carroll. «Nada disto teria sido possível sem si. Se não me tivesse feito um membro da família Trojan quando tinha doze anos, não sei como seria a minha vida agora. É uma pessoa especial e ficarei para sempre grato pela sua generosidade».

 

«Ontem tive a sorte de alcançar um sonho de uma vida e participar numa jogada dos Trojans. Foi um grande dia na minha vida e espero que seja o primeiro de muitos, por isso fiquem atentos», avisou.

RPS