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É Desporto

Hermann Maier. Quanto maior é a queda… maior a glória?

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Estreia nos Jogos Olímpicos foi marcada por uma queda espetacular que podia ter deixado marcas. O austríaco, habituado a contrariar o esperado, insistiu e partiu para dois títulos nos seis dias seguintes. Era o início de uma lenda. 

 

Currículo invejável

 

Vamos a uma prova de fôlego? Hermann Maier acabou a carreira em 2009 com 36 anos depois de vencer quatro medalhas olímpicas (duas de ouro), seis medalhas em Mundiais (três de ouro) e 54 provas da Taça do Mundo num total de 96 pódios.

 

O austríaco nascido em Salzburgo, em 1972, é um dos melhores atletas na história do esqui alpino. Fosse em downhill, no slalom gigante ou no Super G, Maier era favorito onde quer que pusesse os esquis. Era uma máquina de vencer corridas e, conterrâneo de Arnold Schwarzenegger, não demorou muito até ganhar a alcunha de Herminator, numa referência ao Exterminador Implacável.

 

Uma das especialidades, além das descidas a uma velocidade supersónica, era a teimosia e a capacidade de ultrapassar uma dificuldade. Ou simplesmente quando alguém lhe dizia que não. Como muitos jovens austríacos, Hermann desenvolveu uma paixão pelo esqui alpino, mas o primeiro contacto não foi o melhor.

 

Aos 15 anos, prestou provas na academia de esqui de Schladming e ouviu o primeiro «não» da carreira: era demasiado magro. Não há relatos de ter sido uma criança insolente, mas a verdade é que o Herminator não quis saber do que lhe tinham dito e fez uma promessa: «I’ll be back!».

 

Voltou para a escola de esqui do pai e foi alternando entre a profissão de pedreiro, no Verão, e a de instrutor de esqui, no Inverno. Em 1996, já com 23 anos, impressiona alguns treinadores ao conseguir o 12.º tempo mais rápido no slalom gigante de Flachau.

 

Era o princípio de uma carreira profissional. Em 1997, venceu a primeira corrida do circuito mundial e começou a apontar baterias para os Jogos Olímpicos de Inverno de 1998, em Nagano.

 

Estreia olímpica

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A expectativa para os Jogos no Japão era muita, mas saiu defraudada na primeira corrida de downhill, quando saiu literalmente a voar descontrolado de um salto, chegando inclusive a ultrapassar duas vedações de proteção. Foi impressionante e era uma terrível forma de se estrear no maior palco.

 

Seria melhor «não» voltar a competir nos Jogos, mas mais uma vez não deu ouvidos aos conselhos. Resultado? Três dias depois, venceu duas medalhas de ouro nas disciplinas de Super G e no slalom gigante.

 

A «Sports Illustrated» levou Hermann Maier para a fama com uma foto da espetacular queda e tornou-o ainda mais famoso. Esperava-se que Maier pudesse defender os títulos quatro anos depois em Salt Lake City, mas mais uma vez a vida pôs-lhe um «não» à frente. E desta vez foi obrigado a dar-lhe atenção.

 

Em 2001 foi atropelado por um carro quando voltava de moto de um treino e teve de se submeter a uma operação de sete horas. Por sorte, não precisou de amputar a perna direita, mas ainda assim foi obrigado a retirar-se da competição por dois anos. O fim definitivo da carreira?

 

Não! O melhor ainda estava para vir. Em Turim, nos Jogos de 2006, venceu mais duas medalhas olímpicas (prata e bronze) e continuou a somar provas do circuito mundial, até chegar às 54, ficando apenas atrás do lendário Ingemar Stenmark (86). Foi o Hasta la vista baby definitivo.

RPS