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É Desporto

Heba Allejji. A síria que fará história no ténis de mesa

Heba Allejji/ITTF

Tem 19 anos, recebeu uma vaga do Comité Olímpico Internacional para participar no Rio de Janeiro e será a primeira síria na história a competir no ténis de mesa. A atleta resiste à guerra civil em Damasco e só tem um objetivo: «Mostrar que ainda somos capazes de jogar e treinar na Síria». 

 

Escassa tradição olímpica

 

A Síria é um país em guerra e não terá grande tempo para ver os Jogos Olímpicos. Mas hoje, no primeiro dia a sério depois da cerimónia de abertura, terá uma atleta de 19 anos a fazer história: Heba Allejji é a primeira atleta síria a competir no ténis de mesa.

 

O país asiático não tem grande tradição nos Jogos Olímpicos. Estreou-se em 1948, com Zouheir Al-Shourbagi nos saltos para a água, e desde então, com várias ausências pelo meio, só conquistou três medalhas. Em Atlanta-1996, Ghada Shouaa garantiu o único título da Síria, no heptatlo.

 

No Rio de Janeiro, a comitiva será composta por sete atletas, distribuídos pelo atletismo (2), judo (1), natação (2), halterofilismo (1) e, claro, ténis de mesa.

 

Vaga por convite

 

Heba Allejji não conseguiu a qualificação direta mas recebeu uma vaga do Comité Olímpico Internacional ao abrigo de um programa disponível para os países com uma média reduzida de atletas nas duas edições anteriores.

 

Agora, aos 19 anos, Allejji fará história quando defrontar a mexicana Yadira Silva na ronda preliminar, com arranque marcado para as 13h00 deste sábado (hora de Portugal continental). A adolescente ocupa o 702.º lugar no ranking e a adversária é 134.ª, pelo que as perspetivas de sucesso não são muitas, mas, pelo menos, não foi obrigada a defrontar as chinesas ou sul-coreanas.

 

«O mais importante para mim é demonstrar um alto nível e representar bem o meu país. Quero mostrar que ainda somos capazes de jogar e treinar na Síria», contou à Reuters ainda em julho.

 

Resistência em Damasco

 

Heba Allejji nasceu na província de Al Hasakah, no nordeste da Síria, mas foi obrigada a mudar-se para a capital Damasco, no sudoeste, depois de a situação se ter tornado «inapropriada».

 

Agora, além de estar a estudar Farmácia, treina sempre que possível. «A Síria tem muita gente a jogar ténis de mesa, mas o número de atletas que ficam no país é muito reduzido», lamenta.

 

A atleta que começou a jogar com nove anos e que foi descoberta por um treinador quando o irmão a levou a um centro recreativo já foi mais ativa. Costumava viajar para jogar noutros países, especialmente na China, mas deixou de conseguir fazê-lo quando tudo ficou mais caro há dois anos.

 

Num país em guerra civil, o apoio das autoridades sírias é limitado. Disponibilizam equipamento mas não têm margem para fazer muito mais.

 

«Quando atletas da Síria não têm uma bolsa ou a atenção necessária do Estado, voltam para casa. Só recebem telefonemas para treinar um mês antes de cada torneio. Não quero seguir por este caminho», afirma Heba Allejji.

 

RPS