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É Desporto

Foi bonita a festa da subida, pá! Mas e agora?

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Maio e junho são meses de festejos. Por toda a Europa, equipas e adeptos celebram a ansiada subida ao principal escalão. Mas e o que acontece depois? É uma passagem efémera ou existem condições para prolongar o convívio entre os grandes? Fizemos as contas aos seis principais campeonatos europeus e Portugal e Inglaterra surgem em extremos opostos.

 

Nem tudo o que sobe tem de descer

 

O que têm em comum Atlético Madrid, Lille, Montpellier, Monaco, Juventus, Manchester City e Leicester? As sete equipas conseguiram ser campeãs nacionais no seu país depois de terem disputado pelo menos uma temporada no segundo escalão durante o século XXI.

 

Haver sete casos nos seis principais campeonatos europeus (Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra e Alemanha) merece nota de destaque, mas não é preciso fazer grande estudo estatístico para entender que a tendência é a oposta. Quando uma equipa sobe, percebe-se que o mais provável é andar no fio da navalha nas épocas seguintes para escapar à despromoção.

 

Festejar uma subida é sempre bom, Vítor Oliveira que o diga. Durante um ano, o favoritismo à vitória é constante e a equipa tem um modelo de jogo e jogadores adequados à realidade do escalão. Mas a adaptação a uma divisão mais competitiva nem sempre é fácil e não existe uma fórmula mágica.

 

Há quem prefira fazer uma revolução no plantel, apostando em jogadores mais experientes, e falhe. Também há quem duplique a aposta no mesmo grupo e não consiga mais do que uma passagem efémera entre a elite.

 

As contas não deixam margem para dúvidas: desde 2000, houve 299 equipas que festejaram a promoção ao escalão principal nas seis ligas e 102 (34,1%) caíram logo no final da primeira temporada. Em sentido contrário, 66 (22%) ainda não desceram desde que festejaram a promoção, tenha sido em 2000 como o Lille em França ou em 2016 como o Burnley em Inglaterra.

 

Alargando a base estatística, percebe-se que mais de metade das equipas que sobem de divisão caem num período de três anos (56%). Em sentido contrário, apenas 14 das 299 que subiram tiveram um período de dez épocas consecutivas entre a elite antes de descer (4,7%).

 

O caso favorável de Portugal

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A Liga Portuguesa é a mais amigável para equipas acabadas de subir de divisão. Das 42 promoções verificadas desde que Paços de Ferreira, Beira-Mar e Aves subiram em 2000, apenas doze desceram no final da primeira época: Aves (2001 e 2007), Alverca e Estrela da Amadora (2004), Estoril (2005), Beira-Mar (2007), Trofense (2009), Portimonense (2011), Feirense (2012), Moreirense (2013), Penafiel (2015) e União da Madeira (2016).

 

Os 28,5% são a percentagem mais baixa dos seis principais campeonatos. A Itália surge bastante próxima, com 29,3% (17 em 58 subidas), mas beneficia do alargamento feito em 2004, quando Palermo, Cagliari, Livorno, Messina, Fiorentina e Atalanta subiram e na época seguinte só a equipa de Bérgamo foi despromovida.

 

Outro dado curioso da estatística portuguesa é que o campeonato é de extremos: 12 equipas desceram na primeira época, dez ainda não desceram, outras 16 não aguentaram mais do que seis temporadas e apenas duas, Nacional e Académica, ultrapassaram a barreira do sétimo ano para resistir 15 e 14 temporadas, respetivamente.

 

A terrível Premier League

 

Se os dados portugueses surgem no extremo mais favorável, o campeonato inglês aparece no canto oposto. Em 51 equipas que subiram desde 2000, 21 (41,2%) foram relegadas para a segunda divisão após uma temporada disputada e 13,7% desceram no segundo ano.

 

A partir daí, os dados estão muito espalhados, com um total de 11 equipas que ainda não desceram desde a última promoção. Curiosamente, aqui, os 55% de equipas nesta situação são iguais ao contexto português, com 10 das 18 equipas no final da época 2016/17 tendo subido desde 2000.

 

Neste capítulo, a Alemanha está no ponto mais baixo, com 50%, enquanto Espanha, França e Itália têm todas 60% (12 em 20). Os três campeonatos têm uma incidência na casa dos 30% entre equipas que desceram logo no final da primeira época: Espanha é a mais próxima de Portugal com 31,3%, seguida de Alemanha (35,5%) e França (38,4%).

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RPS