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É Desporto

Figuras Olímpicas IX - Yoel Finol

Yoel Finol

Em 2010, tinha apenas 13 anos quando a irmã foi assassinada pelo marido, também ele um pugilista e ídolo de Yoel. Dois dias depois, o homicida suicidou-se na prisão. Agora, conquistou a primeira medalha no boxe para a Venezuela em 32 anos.

 

«Era como um irmão para mim»

 

Edwin Valero foi um dos melhores pugilistas na história da Venezuela. Campeão do mundo em duas categorias diferentes, disputou 27 combates profissionais e venceu-os todos após KO. Naturalmente, tornou-se um ídolo para Yoel. Ainda mais porque era casado com a irmã desta, Jennifer Carolina.

 

Tudo mudou em abril de 2010. Valero confessou ter esfaqueado a mulher num quarto de hotel e foi detido pela polícia e levado para a prisão. Aí, aguentou apenas dois dias até se enforcar com a própria roupa. Toda a história foi traumática para Yoel.

 

«Foi algo muito mau, que provocou muita dor. Eram duas pessoas muito importantes para mim. Ela era a minha irmã, tínhamos o mesmo sangue, ele era como um irmão, como um pai, admirava-o muito», explica o jovem pugilista que tinha apenas 13 anos quando os dois morreram.

 

«As drogas mudaram-no, ele não era má pessoa», garante Yoel, falando do homem que três anos tinha sido detido por agredir a mãe e a irmã após uma discussão.

 

Motivação olímpica

 

Yoel Finol

Yoel Finol sempre se sentiu motivado ao ver o cunhado a competir. E apesar de ter ido para o boxe por causa do tio, com apenas dez anos, foi com Valero que mais o impulsionou a perseguir uma carreira e tornar-se profissional logo com 17 anos.

 

Chegar aos Jogos Olímpicos era uma ambição que mantinha desde 2010. Sem dinheiro, começou a lutar na rua para alimentar esse sonho. Seis anos depois, a recompensa chegou e tudo parece ultrapassado.

 

«Já passou muito tempo, são coisas que recuperas. Perdoei-o e estou bem agora», admite.

 

Mudança de vida

 

O pugilista venezuelano garantiu a medalha de bronze assim que venceu o combate dos quartos-de-final – no boxe, os dois derrotados das meias-finais sobem ao último lugar do pódio. O ouro continuava a ser uma hipótese mas perdeu no combate de acesso.

 

«Perdi mas a Venezuela tem de se sentir orgulhosa, dei-lhes a primeira medalha no boxe em 32 anos», lembrou, apostando agora numa nova etapa.

 

«A tua vida muda quando ganhas uma medalha, não só como pessoa mas também como desportista. Agora tenho de voltar à Venezuela para perceber o que vai acontecer.»

 

RPS