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É Desporto

Federica Pellegrini. A primeira mulher a travar Katie Ledecky

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Katie Ledecky chegou a 26 de julho com 12 títulos em 12 provas de Mundiais de natação. Mesmo nos Jogos Olímpicos, só por uma vez, numa prova de estafetas, não havia ganho a medalha de ouro. Nos 200 metros livres, em Budapeste, a italiana Federica Pellegrini, nove anos mais velha, pôs fim a uma série verdadeiramente impressionante e conquistou o sétimo pódio consecutivo. 

 

O último rugido da Leoa de Verona

 

Katie Ledecky é um furacão na água da piscina. A norte-americana apresentou-se ao mundo com o título olímpico dos 800 metros livres em Londres-2012, com apenas 15 anos, e fez questão de vincar que não está neste mundo para perder.

 

Michael Phelps tem a fama – e todo o proveito, na verdade -, mas não conseguiu ser tão dominador desde o início como Ledecky. A norte-americana não tem a mesma diversidade do compatriota, preferindo focar-se única e exclusivamente no estilo livre. É aí que ganha todos os seus títulos, foi aí que, dos 200 aos 1500 metros, foi insuperável em todas as provas olímpicas e mundiais em que participou desde Londres em 2012 até Budapeste em 2017.

 

A ambição de Ledecky de ganhar seis títulos mundiais na Hungria foi travada nos 200 metros livres. Nunca seria fácil. O domínio de Ledecky é incontestável mas nadar seis provas em sete dias obrigava-a a fazer mais de seis quilómetros. A dificultar, o facto de a final dos 200 metros ter sido disputada no dia seguinte a ter esmagado a concorrência na final dos 1500 metros, com uma vantagem de 19,07 segundos sobre a espanhola Mireia Belmonte.

 

Podia ser um simples detalhe mas Federica Pellegrini não deixou e fez questão de fazer com que a 13.ª final de Ledecky num Mundial fosse associada ao azar. Com uma prova de trás para a frente, a italiana nascida em 1988, nove anos antes de Ledecky, terminou com 45 centésimos de vantagem sobre a norte-americana e da australiana Emma McKeon.

 

Sair da sombra

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O título olímpico permitiu a Pellegrini sair de uma sombra ingrata. Especialista nos 200 metros, a nadadora já tinha sido obrigada a contentar-se com a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e nos Mundiais de Montreal-2005, Barcelona-2013 e Kazan-2015: a última por causa de Ledecky.

 

Este último laivo de genialidade ofereceu-lhe o terceiro título na distância, depois de já o ter feito em edições consecutivas em Roma-2009 e Xangai-2011. Ledecky pode ser a rainha do estilo livre mas os 200 metros têm o nome de Pellegrini marcado.

 

A italiana de Mirano, nos arredores de Veneza, é a única nadadora na história a vencer a distância em mais do que um Mundial. E, no caso dela, não são apenas dois mas três títulos. A consistência de Pellegrini pode ser vista como um caso de estudo, uma vez que desde 2005, num Mundial em que participou ainda com 16 anos, que não falha o pódio.

 

Além do ouro em 2009, 2011 e 2017, foi prata em 2005, 2013 e 2015 e bronze em 2007.

 

O adeus à vista

 

O terceiro título pode ser o mote que faltava para Pellegrini dizer adeus. A Leoa de Verona, como passou a ser conhecida devido à fixação com leões depois de ter visto O Rei Leão, anunciou que esta seria a última participação na distância.

 

«Independentemente de tudo, era importante para mim vencer uma medalha. Na vida nunca se sabe, mas estes, para mim, foram os últimos 200 metros livres», anunciou emocionada em entrevista após a prova.

 

Pellegrini não vai acabar a carreira: «Continuarei a lutar, fazendo outro percurso, mas esta foi a última vez em 200 metros livres a nível internacional». «Não sei o que dizer nesta altura, não esperava algo deste género. Agora sei que posso sair em paz».

RPS