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É Desporto

«Eu é que sou o verdadeiro Steaua Bucareste»

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Conflito entre Gigi Becali e o Ministério da Defesa Nacional fez com que a equipa da primeira divisão mudasse de nome (FCSB) e o exército decidisse refundar o Steaua. Marius Lacatus é o diretor e formou uma equipa de jovens entre os 17 e 22 anos que começou a treinar na semana passada. Com salários a rondar os 200 euros, o objetivo é chegar ao principal escalão em 2020.  

 

Conflito sem resolução

 

Compreender o presente obriga a recuar no tempo praticamente vinte anos. Estávamos em 1998 quando a secção de futebol do CSA Steaua Bucareste, o clube do exército, cortou definitivamente os laços que tinha com o estado para satisfazer o novo regulamento da federação romena de futebol.

 

O CSA Steaua Bucareste continuou a existir nas mais diversas modalidades mas no futebol deu origem ao FC Steaua Bucareste. Por esta altura, já a influência de Gigi Becali, empresário que tinha enriquecido através dos negócios com o exército, estava a crescer. O milionário começou por ser vice-presidente do clube em 2001 para, dois anos depois, assumir-se como acionista maioritário.

 

O Steaua Bucareste continuou a dominar o panorama do futebol romeno mas Becali nunca conseguiu escapar às polémicas. Em 2011, o Ministério da Defesa Nacional processou o clube por uso indevido do nome, do emblema e das cores, alegando que estes pertenciam ao exército, e deu origem a uma sucessão de eventos que nos trouxeram até 2017.

 

Renomeação e refundação

 

O tribunal deu razão ao governo em março e Becali, igual a si mesmo, não se mostrou incomocado. Não podendo ter o FC Steaua Bucareste, criou o FCSB. Foram-se as palavras, ficaram as iniciais.

 

Por esta altura, já o CSA Steaua Bucareste, o clube original, tinha anunciado o plano de refundar o departamento de futebol. Em dezembro de 2016 recorreu a Marius Lacatus, velha glória do Steaua ligado ao período áureo do clube, para assumir o cargo de diretor e iniciar a prospeção de jogadores que viessem a compor o novo Steaua Bucareste.

 

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Durante os meses seguintes, Lacatus viu centenas de jogos de divisões inferiores e escalões jovens. O objetivo, garantiu em março, era chegar a junho com 60 nomes que viessem a desaguar numa lista final de 25 ou 26 jogadores. Também nesse mês foi anunciado Domnul Ion Ion como treinador.

 

«Não foi fácil escolher um treinador para integrar este projeto, para fazer parte da família do Steaua. Falei com vários treinadores e ex-jogadores e fiquei muito impressionado. Alguns tinham interesse, mas só em escalões superiores, e o Domnul Ion Ion acabou por ser o escolhido para os próximos dois anos. Foi a melhor opção e é uma grande responsabilidade. O clube tem uma grande reputação e o objetivo é levá-lo até à primeira divisão, onde pertence».

 

Indefinição no futuro

 

Não é claro ainda como será o futuro do CSA Steaua Bucareste. A equipa foi oficialmente apresentada a 21 de julho mas a inscrição na federação ainda não está validada. O objetivo é começar a competir no quarto escalão mas não está fora de hipótese que tenha de iniciar o regresso à elite na quinta divisão. O presidente, Cristian Petrea, referiu que já apresentou toda a documentação necessária para a equipa integrar a quarta divisão, com o objetivo de chegar à elite em 2020, mas que a decisão só será tomada a 20 de agosto.

 

Ao mesmo tempo, Gigi Becali não perde uma oportunidade para atacar o clube que está a nascer na sombra do FCSB. O proprietário fez questão de prometer que fará tudo o que estiver ao seu alcance para evitar o sucesso do CSA Steaua Bucareste.

 

A resposta de Lacatus, a contragosto, não se fez esperar: «Gostava de não ter de reagir sempre que Becali diz alguma coisa. Julgo que se deveria preocupar mais com a conquista do título na primeira divisão, que escapa há dois anos, do que com o FCSB. Nós só nos preocupamos connosco».

 

Equipa jovem e… mal paga

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Marius Lacatus sabia que não seria fácil compor uma equipa com um objetivo tão ambicioso. A ideia sempre foi apostar mais nos jovens e numa filosofia que permitisse ter um orçamento razoável para a atual dimensão do clube.

 

Marius Lacatus, que recebe 3000 euros para desempenhar o cargo de diretor técnico, compôs uma equipa de jogadores entre os 17 e os 22 anos que recebe valores a rondar os 200 euros (entre 175 e 220).

 

Para já, a equipa está em estágio e fez o primeiro jogo: vitória 3-0 sobre o Camprest. O primeiro onze, que entra para a história, foi composto por Iancu, Butoi, Paduret, Sitaru, Radu, Curt, Lolescu, Vilcea, Chivu, Mirea e Predescu.

 

Os apelidos até podem ser conhecidos mas não são os mesmos que no passado alcançaram a glória com o clube. É como o Steaua Bucareste. Tem o nome, falta o resto.

RPS