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É Desporto

Dujshebaev. O palmarés da família está finalmente completo

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Espanha sagrou-se campeã europeia de andebol pela primeira vez e Alex Dujshebaev aproveitou a proeza inédita para assinalar um feito da família: «Era o único ouro que o meu pai não tinha!» 

 

Um talento chamado Talant

 

O desporto soviético sempre foi visto com uma aura de misticidade no Ocidente. Fosse no futebol, no hóquei no gelo, na ginástica ou em muitas outras modalidades olímpicas, a cortina que separava os dois blocos tornava tudo uma incógnita ainda maior.

 

Os grandes eventos mundiais e as competições europeias eram uma forma de mostrar ao resto do globo os talentos que se formavam praticamente à porta fechada dentro das fronteiras da União Soviética.

 

Um deles chamava-se Talant Mushanbetovic Dujshebaev e jogava andebol. Nascido na república soviética do Quirguistão em 1968, começou a dar nas vistas já na fase final da União mas nem por isso deixou de encantar e seduzir por onde passou.

 

Dujshebaev construiu um currículo impressionante. Da formação do CSKA Moscovo, conquistou o primeiro grande título da carreira com a União Soviética no Mundial júnior em 1989, disputado em Espanha.

 

A partir daí nunca mais parou. Em 1992, com a Equipa Unificada, conquistou a medalha de ouro e o título de melhor marcador (47 golos). No ano seguinte, já com a Rússia, foi campeão mundial. Depois, passou a representar a Espanha em 1995, fruto de ter ido jogar para o Teka Cantabria em 1992, e conquistou inúmeras medalhas: bronze nos Jogos Olímpicos de 1996 e de 2000, prata nos Europeus de 1996 e 1998 e bronze nos Europeus de 2000.

 

Não se ficou por aqui. A nível de clubes foi campeão soviético, espanhol e europeu (duas vezes). A nível individual, foi considerado o melhor jogador do mundo em 1994 e 1996, o melhor jogador do Europeu em 1996, do Mundial em 1997 e dos Jogos Olímpicos em 2000.

 

A fatia que falta ao bolo

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O palmarés de Dujshebaev é impressionante mas, analisando com atenção, tem uma lacuna. Nunca foi campeão europeu de seleções. Agora, 16 anos depois de ter deixado de representar a Espanha ao mais alto nível, a família pode finalmente dizer que já tem esse título no currículo. Tudo por causa de Alex Dujshebaev, o filho mais velho de Talant.

 

Alex nasceu em dezembro de 1992 em Santander, já quando o pai representava o Teka. Fazendo tudo para seguir as pisadas de Talant, não demorou muito a dar nas vistas e a chegar à seleção espanhola, em 2014, já com 22 anos.

 

O talento individual não é o mesmo mas, depois de ter feito parte da seleção que perdeu a final europeia em 2016, Alex conseguiu finalmente o feito coletivo que faltava: ganhar um Europeu de andebol.

 

«Para mim tem outro significado porque é um título que ainda não tínhamos na família. Era o único ouro que o meu pai não tinha», disse o jogador, considerado o melhor lateral direito da prova, depois de a Espanha ter derrotado a Suécia na final da competição, disputada na Croácia.

 

Agora, uma pergunta continuará no ar. O que poderá acrescentar Daniel Dujshebaev, filho mais novo de Talant e que começa agora a dar os primeiros passos no panorama internacional?

RPS