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É Desporto

Ahmed Ben Bella. Do golo no Marselha à presidência da Argélia

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Lutou com os franceses na Segunda Guerra Mundial mas sempre foi contra o colonialismo na Argélia. Antes de se tornar o primeiro presidente do seu país, marcou um golo pelo Marselha na Taça de França. Foi o único jogo que fez mas podiam ter sido mais… 

 

A independência vale mais do que um golo

 

Quando Ahmed Ben Bella nasceu, a 25 de dezembro de 1916, a Argélia ainda não era mais do que um território controlado pelos franceses. Filho de pais camponeses e com seis irmãos – ele foi o único de cinco rapazes a não morrer antes de chegar a adulto – teve sempre uma sensação de identidade independente muito forte.

 

Na escola, revoltava-se contra os professores e entrava em debates acesos sobre o colonialismo e a repressão a um povo que pensava em árabe mas era obrigado a falar em francês. Um dos momentos em que podia ser quem quisesse era no campo de futebol.

 

«Quando pegava na bola a toda a velocidade em direção à baliza, ninguém me perguntava se eu era árabe ou europeu», disse uma vez.

 

Apesar disso, nunca fugiu às responsabilidades que tinha em França. Depois de se ter juntado ao exército francês, em 1937, foi colocado em Marselha. Aí, começou a jogar futebol numa equipa no norte da cidade mas a progressiva desintegração do Marselha, com o aproximar da guerra, fez abrir uma oportunidade.

 

O Olympique quis continuar a competir e preencheu uma lacuna que tinha no plantel com Ben Bella. O médio só jogou uma única vez, a 21 de abril de 1940, na goleada do Marselha ao Antibes (9-1), mas fez questão de marcar um golo.

 

A sua capacidade técnica foi cobiçada e os dirigentes convidaram-no a continuar, mas Ben Bella tinha outra ideia: «Seria muito bem pago. Acreditem em mim, tinha futuro. Era médio centro do Marselha e ofereceram-me um contrato.»

 

Segunda Guerra e o regresso à Argélia

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Ben Bella serviu o exército francês, com distinção, na Segunda Guerra Mundial e foi distinguido com a Cruz de Guerra em 1940. Quatro anos depois, recebeu das mãos de Charles de Gaulle a Medalha Militar. Curiosamente, praticamente vinte anos mais tarde, seria De Gaulle a estar ligado ao processo de independência argelina.

 

Terminada a guerra na Europa, Ben Bella foi travar nova batalha, desta vez no norte de África. Os tumultos contra a ocupação francesa eram cada vez mais frequentes e o argelino era um dos membros mais importantes da resistência. No final da década, foi condenado a oito anos de prisão por roubar um banco para conseguir financiar o movimento.

 

Depois da fuga, que o levou ao exílio, criou a Frente de Libertação Nacional, com base na Tunísia. Com o passar dos anos, a independência tornou-se inevitável e em 1963 foi eleito presidente.

 

Durou dois anos até ser deposto num golpe militar. Um antigo colega de escola traçou-lhe o diagnóstico: «Queria sempre que lhe passassem a bola para que pudesse marcar. Na política, era igual.»